Mulher Saúde

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Quantas mulheres não recebem o resultado de seu exame preventivo e se assustam com essa palavra: inflamação!!! Acreditam que ela tem tudo a ver com aquela coceirinha chata, ou com aquele corrimento que vira e mexe volta a incomodar. Mas isso não é verdade e, portanto, resolvi escrever esse texto para tentar deixar claro o real significado desse resultado.

Antes de falar sobre o papanicolau, quero explicar o que significa o termo inflamação. No corpo humano, a resposta inflamatória, ou seja, a inflamação tem uma série de funções. A função mais conhecida dela é a de ativar, estimular o sistema imunológico (sistema de defesa do corpo contra doenças) quando o corpo é invadido por algum bicho oportunista. Por esse motivo, quando as pessoas escutam esse termo, imediatamente o associam a uma infecção. A infecção é sinônimo de um problema causado por algum bicho oportunista (bactérias, vírus, etc.). Porém, outra função importante da inflamação é atuar no processo de cicatrização do corpo. A cicatrização só ocorre quando há uma resposta inflamatória no local da lesão, e é essa resposta que resulta na produção da “nova pele” que recobrirá o local machucado.

Existem diversas causas que estimulam a inflamação na vagina. Aqui comentarei sobre duas, que são as mais freqüentes. A primeira é que, quando a mulher tem relação sexual, o atrito entre o pênis e a vagina causa micro-lesões, micro-fissuras. Para cicatrizar esses mini-machucados, há a inflamação. O outro motivo é hormonal: a progesterona, hormônio que aumenta na segunda fase do ciclo menstrual (vide o texto ciclo menstrual) deixa a mucosa da vagina mais fina, mais delicada. Isso, juntamente com outros mecanismos de regulação da flora vaginal, resulta numa inflamação local. É importante enfatizar que essa inflamação na vagina, causada por esses fatores naturais que mencionei acima, não dão sintomas irritativos. Faz parte do funcionamento natural da vagina, e por isso não necessitam de tratamento.

O papanicolau, como já expliquei no outro texto (papanicolau e corrimento) é um exame que tem como objetivo detectar alterações celulares no colo do útero que indicam a infecção ativa pelo vírus do HPV. Essa alteração, se não tratada e acompanhada adequadamente, pode evoluir para câncer. Por outro lado, se essa alteração for tratada adequadamente e a mulher fizer um seguimento anual com o papanicolau, a chance de evoluir para câncer é mínima, praticamente nula. Daí vem a enorme importância do papanicolau na manutenção da saúde e do bem estar das mulheres. Portanto, quando você receber o resultado de seu exame preventivo e estiver escrito inflamação, fique feliz, pois isso significa que sua vagina está ótima e seu exame é normal!

O Papanicolau é um exame no qual são coletadas células do colo do útero, colocadas numa lâmina e vistas posteriormente no microscópio. O objetivo desse exame é detectar alterações nessas células que são sugestivas de infecção pelo vírus do HPV (Papilomavírus humano). Essa infecção, se não for tratada adequadamente, causa o câncer de colo de útero. Por isso o Papanicolau é tão importante, pois detecta essas primeiras alterações, permitindo assim o tratamento precoce e evitando um desfecho tão grave e maléfico.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, esse exame não tem como objetivo fazer diagnóstico de corrimento, mas sim dessas lesões causadas pelo HPV. A presença de um corrimento ou de uma infecção no momento do exame prejudica sua leitura, não permitindo que o patologista (médico que avalia esse exame e dá seu laudo, seu resultado) faça uma avaliação adequada da amostra.

Quando é encontrada a presença de Cândida ou Gardnerella nessa lâmina, não há porque se preocupar. Esses bichos participam da flora vaginal (compõe naturalmente o ambiente da vagina, “vivem”, “moram” lá). Desta forma, se na hora da coleta um deles for pego junto e colocado na lâmina, não significa que seu crescimento esteja aumentado e que ele precisa ser eliminado, tratado. Só há a necessidade de tratá-los caso a paciente apresente sintomas relacionados a esses bichos. Caso contrário, não tem porque ficar usando cremes e remédios sem necessidade (exceto na gravidez).

A resistência de qualquer microorganismo a um determinado remédio ocorre da seguinte forma: você tem uma infecção e toma o remédio para combatê-la. Aí ela volta e você toma o mesmo remédio, ou algum outro semelhante que tenha o mesmo princípio ativo (a mesma arma feita para acabar com esse bicho). Após alguns ciclos de tratamentos (muitas vezes mais curtos do que deveriam ser!), você começa a perceber que ele é cada vez menos eficaz, e que sua infecção não está mais melhorando como antes. O que aconteceu?

Uma das principais causas de resistência a um remédio é seu uso inapropriado e sem indicação. As pessoas que se automedicam, ou mesmo as que tomam algum remédio prescrito pelo seu médico, mas de forma incorreta (esquecem de tomar o remédio na hora certa, tomam por menos dias do que foi prescrito, etc), acabam selecionando os microorganismos que são mais resistentes a essa medicação. Quando você usa um antibiótico, ele acaba com os “bichos”, porém pode sobrar algum que seja resistente a ele (não morra com ele) por uma proteção genética (é um “super-bicho”). Então, esse “super-bicho” que restou acaba se reproduzindo, formando uma população de “super-bichos”, que não serão eliminados se você continuar usando o mesmo tratamento.

Para acabar com essa população de “super-bichos”, você precisa realizar um acompanhamento com um ginecologista, e realizar o tratamento exatamente da forma que ele orientar. Fique preparada para a falha de um ou outro tratamento, pois se sua candidíase já possui certa resistência, algumas medicações poderão não ser potentes o suficiente para eliminá-la.

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Se você tem uma irritação, ardência, inchaço e vermelhidão após ter relação sexual, a primeira pergunta que te faço é: será que sua vagina está ficando com uma lubrificação escassa na hora da penetração, assim resultando num ambiente mais seco. Se for isso, provavelmente esse atrito entre o pênis e a parede vaginal está resultando em micro-lesões, que ardem e ficam sensíveis depois do ato. Para tratar disso, use um lubrificante a base de água nas suas relações, assim combatendo esse problema. E quem sabe, você também poderia pedir ao seu parceiro uma atenção mais especial nas preliminares, e ter a penetração num período de maior excitação, assim facilitando, e quem sabe até melhorando seu clímax sexual.

Se esses sintomas ocorrem apenas após você entrar em contato com a camisinha, isso pode ser uma alergia. Cerca de 1% das pessoas têm alergia aos produtos utilizados na camisinha como espermicidas e lubrificantes, e 1% têm alergia ao látex, que é o mesmo material das luvas de procedimentos médicos e odontológicos.

Para tentar descobrir a qual desses produtos você desenvolveu alergia, faça um teste: tente usar uma camisinha de látex sem lubrificante e espermicida, e verifique se apresenta os mesmos sintomas após o contato. Você pode associar um lubrificante a base de água, para caprichar na lubrificação local.

Se mesmo assim tiver esses sintomas, verifique se o uso de camisinhas a base de poliuretano (anti-alérgicas) melhoram seu quadro. Também se consulte com seu ginecologista após fazer esses testes, para que possa se aconselhar em alguns tratamentos para dessensibilizar, diminuir a alergia da camisinha.

Outra coisa que também pode estar acontecendo é que esses sintomas são de uma candidíase de repetição, e que a relação sexual esteja resultando numa reativação de seus sintomas de candidíase. Se for esse o caso, você e seu parceiro devem realizar um tratamento em conjunto para melhorar desse problema. Sempre com o acompanhamento médico.

Quando o parceiro também deve se tratar para candidíase?

  • Candidíase de repetição (que melhora com o tratamento, mas sempre acaba voltando);
  • Parceiro com sintomas: coceira, inchaço, vermelhidão, ardência ou aumento da sensibilidade local.

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As irritações vaginais, seja em forma de corrimento, cheiro ruim, coceira ou inchaço, quando se tornam recorrentes (vão e voltam), significam que o tratamento não está adequado. Não porque o remédio não é indicado para tal patologia (doença, alteração), mas sim porque a origem de tudo isso, o real fator causal desse problema, não está sendo combatido. O corpo da mulher é uma máquina extremamente delicada, onde pequenas alterações podem iniciar um efeito como uma bola de neve. Desta forma, quanto mais tempo demoramos para acertar essa alteração, maior será o problema e mais difícil será de resolvê-lo.

A maior parte das irritações vaginais é causada por bichos que participam da flora vaginal (Cândida e Gardnerella), porém acabaram se reproduzindo demais e resultaram nessa irritação. Isso significa que alguma “coisa” que deveria estar regulando crescimento desses bichos falhou nessa tarefa, o que resultou na irritação. Mas que “coisa” é essa? Se não for por nenhum dos fatores que citei no meu texto anterior (sobre candidíase e flora vaginal), então é porque seu sistema imunológico (de defesa do corpo) está falho, cansado.

O sistema imunológico é o resultado direto do funcionamento do corpo. Se o corpo está em harmonia, saudável, ele funciona muito bem. Porém, se o corpo está sobrecarregado, com pouca energia, o sistema imunológico começa a falhar. Desta forma, ele é o termômetro da saúde e do equilíbrio do corpo.

E nisso não tem como o médico atuar, senão dando aqueles mesmos conselhos de sempre: evite o stress, durma direito, se alimente adequadamente, tenha momentos de laser, faça exercícios físicos, tenha um peso adequado, seja feliz… Por isso é importante toda paciente ter a consciência de que “ela” (a paciente, a mulher) que é responsável pelo sucesso de seu tratamento. O médico entra como um coadjuvante, mostrando possíveis caminhos que a mulher pode percorrer para que tenha uma vida mais saudável.

Resumindo tudo isso que acabei de dizer: se você é uma dessas mulheres que vira e mexe aparece com novo desconforto vaginal, pare um pouco para fazer uma auto-reflexão. Como anda sua vida, o que você tem feito que possa estar alterando seu sistema imunológico: é o final do prazo do trabalho? A ausência de exercícios físicos? Seu relacionamento que não está muito bom? São as poucas horas de sono? Esses quilos a mais, ou a menos? O que pode ser? Quando você encontrar essa resposta e tiver uma atitude pró-ativa para reverter esse quadro, que você conseguirá se livrar desses desconfortos vaginais tão freqüentes. Até lá, você provavelmente vai continuar usando um remédio ou outro, mas essa irritação sempre voltará para te importunar, e para avisar que você não está bem, não apenas sua vagina.

Obs.: uma outra causa muito comum de queda da imunidade é a diabetes. Se você tem parentes com diabetes, realize um teste para investigar essa doença, que também muitas vezes tem como primeiro sintoma os corrimentos recorrentes.

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Muitas vezes, essa candidíase que vai e volta é resultante de uma alteração da flora vaginal, e ela não será completamente resolvida se essa flora não for restabelecida. Mas antes de saber como restabelecer essa flora, é importante pesquisar qual foi o agente causador desse desbalanço.

O que é a flora vaginal?

A vagina é habitada por uma série de microorganismos (bactérias, fungos, etc.) que vivem num equilíbrio entre si (é um mini ecossistema). Esses bichos têm como função a manutenção da acidez vaginal, assim como algumas propriedades de defesa da vagina contra agentes externos. Esse ambiente que compõe a vagina é chamado de flora vaginal.

O que pode alterar a flora vaginal?

1. Medicações:

  • Pílula anticoncepcional ou anticoncepcional injetável: os hormônios existentes nessas medicações podem levar a uma alteração da produção do muco vaginal, assim como na acidez da vagina. Essas alterações resultam numa alteração da flora. Portanto, se você tem esses quadros recorrentes e faz uso de algum desses métodos anticoncepcionais hormonais (pílula ou injeção), converse com seu ginecologista sobre a possibilidade de uma troca dessa medicação. Às vezes, o fato de trocar de anticoncepcional leva a uma melhora da candidíase.
  • Antibióticos: agem não só nos bichos que estão causando a infecção para a qual ele foi recomendado, como em todo corpo. Assim, ele pode acabar matando um determinado grupo de bichos que fazem parte da flora vaginal, resultando num desbalanço, num desequilíbrio dessa flora. Isso pode predispor ao desenvolvimento de irritações vaginais ou corrimentos. Para o diagnóstico desse quadro, é importante que se realize um exame ginecológico, seguido do tratamento adequado.
  • Corticóides (ex.: prednisona): agem diminuindo a função do sistema imunológico (sistema de defesa natural do corpo contra os bichos que causam doenças). Isso pode resultar numa proliferação, num crescimento exagerado dos bichos que compõe a flora vaginal, podendo resultar em corrimentos, irritações. Da mesma forma que orientei acima, é importante que se realize um exame ginecológico, seguido do tratamento adequado.
  • Cremes vaginais: são medicamentos que contêm antibióticos e/ou corticóides que são usados diretamente na vagina. Seu uso, principalmente crônico (diversas vezes), também pode levar ao desbalanço da flora vaginal.

2. Depilação dos pêlos pubianos: os pêlos pubianos (da vagina) têm como função protegê-la contra os bichos e a sujeira do meio exterior. Portanto, se tirar todos esses pêlos, a vagina fica muito mais exposta, podendo facilitar infecções locais.

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Os sintomas clássicos da candidíase são: corrimento branco parecendo uma “massinha”, umas natas, inchaço na vagina, coceira, vermelhidão, ardência para urinar (porque a pele da vagina está muito sensível, e assim, quando a urina encosta nela, arde), dor na penetração do ato sexual. Se a mulher tem esses sintomas, sem nenhum outro associado, a chance de ela ter candidíase é grande, porém, não é certeza.

A partir do momento que é feita a hipótese diagnóstica de candidíase, inicia-se um tratamento específico para ela. Aí que vem a segunda parte do raciocínio médico: se a paciente tiver uma melhora do quadro com o tratamento, então o diagnóstico é confirmado; se ela não tiver uma melhora, ou o diagnóstico está errado, ou o tratamento não foi eficaz para aquela cândida específica (ela está resistente ao tratamento). E é aí que a novela da irritação vaginal começa para as mulheres.

Quando suspeitar se o que eu tenho não é candidíase?

Em primeiro lugar, se o quadro não é completamente típico, ou seja, não é exatamente como eu descrevi no início do texto. A candidíase não tem cheiro, não tem ferida, e seu corrimento é bem branquinho. Em segundo lugar, se o tratamento que você fez visando acabar com a candidíase não melhorou em nada seus sintomas.

A maioria dos problemas vaginais é acompanhada de algum corrimento e irritação vaginal. Esse é o jeito da vagina dizer que não está bem. Como a candidíase é muito comum, na maioria das vezes ela faz parte do repertório das hipóteses diagnósticas. Mas é importante avaliar a possibilidade da presença de doenças sexualmente transmissíveis (DST), principalmente se a mulher fez práticas sexuais sem proteção recentemente.

As principais DST’s existentes hoje em dia são: HPV (papilomavírus humano), sífilis, gonorréia, tricomoníase, donovanose, herpes genital, cancro mole e infecção por clamídia. A diferença delas para a candidíase (e a Gardnerella) é que elas são causadas por “bichos” que não deveriam habitar a vagina, ou seja, se eles estão lá, é porque você os pegou pela via sexual. Como a presença deles na vagina causa uma doença, seu tratamento adequado é obrigatório.

Portanto, se você tem sintomas que não se encaixam perfeitamente no quadro de candidíase, e seu médico lhe receitou um tratamento para candidíase que não está melhorando nada, você deve voltar a vê-lo. A paciente tem uma responsabilidade muito grande em permitir a continuação do raciocínio médico, e ela o faz voltando ao médico para lhe contar que o tratamento não deu certo. Desta forma, o médico avança em seu raciocínio abrindo um leque de outras possibilidades que possam justificar sua queixa. Como a principal hipótese que ele tinha em mente não foi confirmada, ele provavelmente investigará as outras hipóteses com novos exames e tratamentos, até que se tenha uma conclusão desse enigma.

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Como percebi um padrão semelhante nas perguntas de todas vocês, e que suas dúvidas são decorrentes da falta de alguns conceitos sobre a ginecologia, resolvi escrever novos textos tentando abranger todos os temas levantados nas perguntas que recebi. Acredito que no fundo, todas vocês têm as mesmas curiosidades, e cada uma as expressa pelo ponto que mais as incomoda.

Uma coisa que vocês podem perceber é que o objetivo dos meus textos é ensinar a mulher a se entender, para desta forma poder cuidar melhor dela mesma. Mas é impossível para qualquer mulher se auto avaliar quando existe algum problema em sua vagina. A vagina é um órgão secreto, escondido. Ela é voltada para dentro, e só pode ser examinada adequadamente com a ajuda dos instrumentos ginecológicos. Por isso o ginecologista deve ser presente na vida de toda mulher, pois apenas ele pode ver, examinar e sentir essa vagina para poder chegar a uma conclusão.

Sem dúvida que os sintomas e incômodos que a mulher sente são imprescindíveis para se chegar ao diagnóstico mais adequado. Mas nem tudo que coça, arde e incomoda, e vem acompanhado de corrimento é candidíase. Se a medicina fosse tão fácil assim, e tivesse um remedinho mágico que conseguisse acabar com esse incômodo tão freqüente sentido pelas mulheres, a candidíase e seus diagnósticos diferenciais (que são as outras doenças ou alterações vaginais que se comportam parecidas com a candidíase) já teriam sido resolvidas, curadas. E é exatamente o oposto que acontece!

Como é possível acabar com esses incômodos?

Quero esclarecer um conceito médico que acredito que poucos pacientes saibam: em medicina, o diagnóstico final, a origem de todo aquele incômodo, não é esclarecida logo no início. O que acontece no raciocínio médico são as hipóteses diagnósticas, ou seja, nós avaliamos a paciente com sua história, examinamos a procura de alterações que justifiquem as queixas, e a partir daí fazemos suposições em nossa mente que possam explicar e englobar os sintomas que estão acontecendo com aquela mulher. A partir daí começa toda a investigação diagnóstica, que pode variar desde a indicação de um tratamento para a minha hipótese, até outras pesquisas com exames adicionais.

Dependendo do resultado desses exames, e se a paciente melhorou ou não com o tratamento que a receitei, que essa hipótese é confirmada ou afastada. Aí eu também levanto outra importância na investigação dessa mulher: ela não deve apenas se consultar uma vez, mas sim manter um acompanhamento para que seu problema consiga ter uma solução adequada. Se o tratamento falhar, não significa uma derrota. Indica que aquela hipótese pode ser excluída da lista, e que a investigação deve prosseguir, com novos tratamentos e novos exames.

Se o tratamento acabar com os sintomas, curar o problema, também não significa que esse tratamento sempre resolverá. Se ela voltar a ter o mesmo quadro, não pode repetir o mesmo tratamento sem se consultar antes com seu ginecologista. Esse costume das mulheres usarem remédios sem indicação médica pode ser muito mais prejudicial do que imagina.

Quais podem ser as conseqüências da auto-medicação?

Imagine uma situação típica, daquela mulher que começa a ter uma irritação na vagina, e ouviu falar que o creme “X” e o remédio “Y” resolveram tudo na sua amiga. Aí ela usa essa medicação, e tem uma melhora dos seus sintomas por um tempo, porém eles retornam. Ela pensa “vou usar novamente aquela receita mágica”, e assim isso vai se repetindo. Com o passar do tempo, ela percebe que as características do corrimento e da irritação mudam um pouco, e se tornam cada vez mais freqüentes. Os remédios que antes resolviam tudo, agora resolvem só uma parte. Porque isso está acontecendo?

Por alguns motivos (que enumerarei nesse texto, e os explicarei em novos posts, separadamente): a causa da irritação pode ser outra, e a medicação está completamente inadequada (importância dos diagnósticos diferenciais, da avaliação de outras causas que possam explicar o que está acontecendo com a mulher); a causa da irritação pode ser a mesma, mas você já usou esse remédio tantas vezes que os bichos que sobraram na sua vagina não são mais atingidos por essa medicação (o que é chamado de resistência); o uso dessa medicação matou alguns bichos que são responsáveis pela flora vaginal, pelo ambiente da sua vagina, e esse desbalanço deixou você mais susceptível a outras infecções (alteração da flora vaginal); ou que você na verdade está com uma queda da sua imunidade, do seu sistema de defesa contra doenças, e essas infecções são a ponta do iceberg de um problema maior (manifestações vaginais recorrentes podem indicar uma queda da imunidade).

Por todas essas razões, e por tantas outras que ainda pretendo abordar em textos futuros, que volto a insistir: tenha amor a sua vagina, trate-a com carinho e dedicação. Por mais incômoda que seja a consulta ginecológica, ela é sempre a melhor solução para que você tenha sempre uma vagina saudável, e mais do que isso, um corpo saudável! Muitas vezes doenças sistêmicas, ou seja, em outros órgãos, se manifestam com alterações vaginais. Assim, sua vigilância constante pode garantir o diagnóstico precoce de outras doenças, melhorando seu prognóstico, sua evolução.

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A Gardnerella é outro corrimento causado por um bicho que já vive normalmente na vagina, e por isso, não é uma doença sexualmente transmissível. Isso significa que, se você teve ou um dia tiver esse corrimento, não adianta culpar os homens com quem teve relação sexual, pois não foram eles que te passaram isso.

Como que se “pega” esse corrimento?
Pode ser por uma diminuição do seu sistema imune (sistema de defesa do corpo contra doenças), resultante de uma vida desregrada com pouco sono, alimentação ruim, sedentarismo, estresse, etc.
Também pode ser porque por algum motivo o ambiente de sua vagina mudou. Possíveis motivos para essa mudança são:
o O hábito de fazer ducha vaginal (lavar a vagina internamente com água). Isso remove toda flora vaginal (bichos que vivem normalmente na vagina garantindo seu equilíbrio), podendo facilitar a procriação da Gardnerella;
o Uso de antibióticos: além de matar a bactéria para a qual você o usa, também mata algumas bactérias da vagina, assim podendo levar ao desbalanço da flora vaginal

Quais são os sintomas?
• Corrimento esverdeado, normalmente não causa coceira ou irritação na vagina;
• Cheiro muito ruim, muitas vezes comparado a ovo podre, que piora muito quando esse corrimento entra em contato com sangue (ex. menstruação) e sêmen.

Como prevenir que ele volte?
Em primeiro lugar, tratando adequadamente esse corrimento. Se você tiver os sintomas acima descritos, procure um ginecologista para que possa lhe examinar e tratar da melhor forma possível.
Não tenha o hábito de lavar a vagina com água lá dentro. Se você é uma dessas mulheres que não consegue limpar a vagina apenas com o papel, precisa passar uma água, limite-se a limpá-la apenas do lado de fora.
Tenha uma vida mais “light”, não abuse de seus horários, tenha uma alimentação correta e balanceada, enfim, você sabe melhor do que eu o que tem que mudar na sua vida para que ela fique mais regrada.

E para as grávidas, tem algum risco a existência desse corrimento?
Sim!!! Ele é muito correlacionado com trabalho de parto prematuro, falso trabalho de parto e com a bolsa estourar antes da hora. Isso porque ele causa uma irritação no útero, que reage com contrações.
Se você estiver grávida e com esses sintomas, procure imediatamente seu obstetra para que ele possa tomar as devidas providências.

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A candidíase é causada por um fungo que pertence à flora vaginal, quer dizer, vive normalmente na vagina (por isso não é uma doença sexualmente transmissível), que é a Cândida. Na gestação, pelas alterações hormonais, é comum ela se replicar demais e acabar dando sintomas, que caracterizam a candidíase. A vagina fica irritada, sensível, coçando muito, inchada, e produz um corrimento branco que parece uma massinha.

Seu tratamento com medicamentos funciona só na fase aguda, e ajudam a dar uma boa aliviada nos sintomas (que chegam a ser muito desconfortáveis). Mas, para que se evite de tê-la novamente, é necessário seguir as orientações de certos cuidados locais. Esses cuidados partem de um princípio simples: de que a cândida, como é um fungo, gosta de um lugar quentinho e úmido. Portando, deve-se tentar manter a vagina o mais seca e arejada possível. Para isso:

·   Evite usar calças apertadas, dando preferência a saias,

·   Use calcinhas de algodão, evitando sempre tecidos sintéticos,

·   Passe a calcinha com ferro quente após sua lavagem,

·   Fique sem calcinha em casa e ao dormir,

·   Tenha uma boa higiene da vagina, limpá-la de preferência com água, mas se não der, use o papel de frente para trás, para não levar as bactérias do ânus para ela,

·   Não use roupas íntimas de outras pessoas.

Se mesmo assim ainda estiver tendo candidíase de repetição, existe um outro recurso que adianta muito bem: lavar a vagina, apenas na parte de fora, com pasta de dente de bicarbonato de sódio (tem que enxaguar após a passagem)! Isso diminuir a acidez da vagina, dificultando a proliferação da cândida.

        Se fizer tudo isso, dificilmente a candidíase continuará sendo um incômodo na sua vida. Para outras dúvidas sobre candidíase, e também sobre outros corrimentos, leia os textos da categoria corrimentos. Quem sabe assim suas outras dúvidas também serão esclarecidas.


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog! Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e faço pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina. Trabalho como médica voluntária no Hospital das Clínicas e tenho consultório na clínica Célula Mater.
Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
Infelizmente não consigo responder a questões individuais através dos comentários. O objetivo desse blog é didático.
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