Mulher Saúde

Posts Tagged ‘coceira vaginal

Se você tem uma irritação, ardência, inchaço e vermelhidão após ter relação sexual, a primeira pergunta que te faço é: será que sua vagina está ficando com uma lubrificação escassa na hora da penetração, assim resultando num ambiente mais seco. Se for isso, provavelmente esse atrito entre o pênis e a parede vaginal está resultando em micro-lesões, que ardem e ficam sensíveis depois do ato. Para tratar disso, use um lubrificante a base de água nas suas relações, assim combatendo esse problema. E quem sabe, você também poderia pedir ao seu parceiro uma atenção mais especial nas preliminares, e ter a penetração num período de maior excitação, assim facilitando, e quem sabe até melhorando seu clímax sexual.

Se esses sintomas ocorrem apenas após você entrar em contato com a camisinha, isso pode ser uma alergia. Cerca de 1% das pessoas têm alergia aos produtos utilizados na camisinha como espermicidas e lubrificantes, e 1% têm alergia ao látex, que é o mesmo material das luvas de procedimentos médicos e odontológicos.

Para tentar descobrir a qual desses produtos você desenvolveu alergia, faça um teste: tente usar uma camisinha de látex sem lubrificante e espermicida, e verifique se apresenta os mesmos sintomas após o contato. Você pode associar um lubrificante a base de água, para caprichar na lubrificação local.

Se mesmo assim tiver esses sintomas, verifique se o uso de camisinhas a base de poliuretano (anti-alérgicas) melhoram seu quadro. Também se consulte com seu ginecologista após fazer esses testes, para que possa se aconselhar em alguns tratamentos para dessensibilizar, diminuir a alergia da camisinha.

Outra coisa que também pode estar acontecendo é que esses sintomas são de uma candidíase de repetição, e que a relação sexual esteja resultando numa reativação de seus sintomas de candidíase. Se for esse o caso, você e seu parceiro devem realizar um tratamento em conjunto para melhorar desse problema. Sempre com o acompanhamento médico.

Quando o parceiro também deve se tratar para candidíase?

  • Candidíase de repetição (que melhora com o tratamento, mas sempre acaba voltando);
  • Parceiro com sintomas: coceira, inchaço, vermelhidão, ardência ou aumento da sensibilidade local.

Você gostou desse texto? Então leia corrimentos

Os sintomas clássicos da candidíase são: corrimento branco parecendo uma “massinha”, umas natas, inchaço na vagina, coceira, vermelhidão, ardência para urinar (porque a pele da vagina está muito sensível, e assim, quando a urina encosta nela, arde), dor na penetração do ato sexual. Se a mulher tem esses sintomas, sem nenhum outro associado, a chance de ela ter candidíase é grande, porém, não é certeza.

A partir do momento que é feita a hipótese diagnóstica de candidíase, inicia-se um tratamento específico para ela. Aí que vem a segunda parte do raciocínio médico: se a paciente tiver uma melhora do quadro com o tratamento, então o diagnóstico é confirmado; se ela não tiver uma melhora, ou o diagnóstico está errado, ou o tratamento não foi eficaz para aquela cândida específica (ela está resistente ao tratamento). E é aí que a novela da irritação vaginal começa para as mulheres.

Quando suspeitar se o que eu tenho não é candidíase?

Em primeiro lugar, se o quadro não é completamente típico, ou seja, não é exatamente como eu descrevi no início do texto. A candidíase não tem cheiro, não tem ferida, e seu corrimento é bem branquinho. Em segundo lugar, se o tratamento que você fez visando acabar com a candidíase não melhorou em nada seus sintomas.

A maioria dos problemas vaginais é acompanhada de algum corrimento e irritação vaginal. Esse é o jeito da vagina dizer que não está bem. Como a candidíase é muito comum, na maioria das vezes ela faz parte do repertório das hipóteses diagnósticas. Mas é importante avaliar a possibilidade da presença de doenças sexualmente transmissíveis (DST), principalmente se a mulher fez práticas sexuais sem proteção recentemente.

As principais DST’s existentes hoje em dia são: HPV (papilomavírus humano), sífilis, gonorréia, tricomoníase, donovanose, herpes genital, cancro mole e infecção por clamídia. A diferença delas para a candidíase (e a Gardnerella) é que elas são causadas por “bichos” que não deveriam habitar a vagina, ou seja, se eles estão lá, é porque você os pegou pela via sexual. Como a presença deles na vagina causa uma doença, seu tratamento adequado é obrigatório.

Portanto, se você tem sintomas que não se encaixam perfeitamente no quadro de candidíase, e seu médico lhe receitou um tratamento para candidíase que não está melhorando nada, você deve voltar a vê-lo. A paciente tem uma responsabilidade muito grande em permitir a continuação do raciocínio médico, e ela o faz voltando ao médico para lhe contar que o tratamento não deu certo. Desta forma, o médico avança em seu raciocínio abrindo um leque de outras possibilidades que possam justificar sua queixa. Como a principal hipótese que ele tinha em mente não foi confirmada, ele provavelmente investigará as outras hipóteses com novos exames e tratamentos, até que se tenha uma conclusão desse enigma.

Você gostou desse texto? Então leia corrimentos

Como percebi um padrão semelhante nas perguntas de todas vocês, e que suas dúvidas são decorrentes da falta de alguns conceitos sobre a ginecologia, resolvi escrever novos textos tentando abranger todos os temas levantados nas perguntas que recebi. Acredito que no fundo, todas vocês têm as mesmas curiosidades, e cada uma as expressa pelo ponto que mais as incomoda.

Uma coisa que vocês podem perceber é que o objetivo dos meus textos é ensinar a mulher a se entender, para desta forma poder cuidar melhor dela mesma. Mas é impossível para qualquer mulher se auto avaliar quando existe algum problema em sua vagina. A vagina é um órgão secreto, escondido. Ela é voltada para dentro, e só pode ser examinada adequadamente com a ajuda dos instrumentos ginecológicos. Por isso o ginecologista deve ser presente na vida de toda mulher, pois apenas ele pode ver, examinar e sentir essa vagina para poder chegar a uma conclusão.

Sem dúvida que os sintomas e incômodos que a mulher sente são imprescindíveis para se chegar ao diagnóstico mais adequado. Mas nem tudo que coça, arde e incomoda, e vem acompanhado de corrimento é candidíase. Se a medicina fosse tão fácil assim, e tivesse um remedinho mágico que conseguisse acabar com esse incômodo tão freqüente sentido pelas mulheres, a candidíase e seus diagnósticos diferenciais (que são as outras doenças ou alterações vaginais que se comportam parecidas com a candidíase) já teriam sido resolvidas, curadas. E é exatamente o oposto que acontece!

Como é possível acabar com esses incômodos?

Quero esclarecer um conceito médico que acredito que poucos pacientes saibam: em medicina, o diagnóstico final, a origem de todo aquele incômodo, não é esclarecida logo no início. O que acontece no raciocínio médico são as hipóteses diagnósticas, ou seja, nós avaliamos a paciente com sua história, examinamos a procura de alterações que justifiquem as queixas, e a partir daí fazemos suposições em nossa mente que possam explicar e englobar os sintomas que estão acontecendo com aquela mulher. A partir daí começa toda a investigação diagnóstica, que pode variar desde a indicação de um tratamento para a minha hipótese, até outras pesquisas com exames adicionais.

Dependendo do resultado desses exames, e se a paciente melhorou ou não com o tratamento que a receitei, que essa hipótese é confirmada ou afastada. Aí eu também levanto outra importância na investigação dessa mulher: ela não deve apenas se consultar uma vez, mas sim manter um acompanhamento para que seu problema consiga ter uma solução adequada. Se o tratamento falhar, não significa uma derrota. Indica que aquela hipótese pode ser excluída da lista, e que a investigação deve prosseguir, com novos tratamentos e novos exames.

Se o tratamento acabar com os sintomas, curar o problema, também não significa que esse tratamento sempre resolverá. Se ela voltar a ter o mesmo quadro, não pode repetir o mesmo tratamento sem se consultar antes com seu ginecologista. Esse costume das mulheres usarem remédios sem indicação médica pode ser muito mais prejudicial do que imagina.

Quais podem ser as conseqüências da auto-medicação?

Imagine uma situação típica, daquela mulher que começa a ter uma irritação na vagina, e ouviu falar que o creme “X” e o remédio “Y” resolveram tudo na sua amiga. Aí ela usa essa medicação, e tem uma melhora dos seus sintomas por um tempo, porém eles retornam. Ela pensa “vou usar novamente aquela receita mágica”, e assim isso vai se repetindo. Com o passar do tempo, ela percebe que as características do corrimento e da irritação mudam um pouco, e se tornam cada vez mais freqüentes. Os remédios que antes resolviam tudo, agora resolvem só uma parte. Porque isso está acontecendo?

Por alguns motivos (que enumerarei nesse texto, e os explicarei em novos posts, separadamente): a causa da irritação pode ser outra, e a medicação está completamente inadequada (importância dos diagnósticos diferenciais, da avaliação de outras causas que possam explicar o que está acontecendo com a mulher); a causa da irritação pode ser a mesma, mas você já usou esse remédio tantas vezes que os bichos que sobraram na sua vagina não são mais atingidos por essa medicação (o que é chamado de resistência); o uso dessa medicação matou alguns bichos que são responsáveis pela flora vaginal, pelo ambiente da sua vagina, e esse desbalanço deixou você mais susceptível a outras infecções (alteração da flora vaginal); ou que você na verdade está com uma queda da sua imunidade, do seu sistema de defesa contra doenças, e essas infecções são a ponta do iceberg de um problema maior (manifestações vaginais recorrentes podem indicar uma queda da imunidade).

Por todas essas razões, e por tantas outras que ainda pretendo abordar em textos futuros, que volto a insistir: tenha amor a sua vagina, trate-a com carinho e dedicação. Por mais incômoda que seja a consulta ginecológica, ela é sempre a melhor solução para que você tenha sempre uma vagina saudável, e mais do que isso, um corpo saudável! Muitas vezes doenças sistêmicas, ou seja, em outros órgãos, se manifestam com alterações vaginais. Assim, sua vigilância constante pode garantir o diagnóstico precoce de outras doenças, melhorando seu prognóstico, sua evolução.

Você gostou desse texto? Então leia corrimentos


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog! Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e faço pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina. Trabalho como médica voluntária no Hospital das Clínicas e tenho consultório na clínica Célula Mater.
Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
Infelizmente não consigo responder a questões individuais através dos comentários. O objetivo desse blog é didático.
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 428 outros seguidores