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Os sintomas clássicos da candidíase são: corrimento branco parecendo uma “massinha”, umas natas, inchaço na vagina, coceira, vermelhidão, ardência para urinar (porque a pele da vagina está muito sensível, e assim, quando a urina encosta nela, arde), dor na penetração do ato sexual. Se a mulher tem esses sintomas, sem nenhum outro associado, a chance de ela ter candidíase é grande, porém, não é certeza.

A partir do momento que é feita a hipótese diagnóstica de candidíase, inicia-se um tratamento específico para ela. Aí que vem a segunda parte do raciocínio médico: se a paciente tiver uma melhora do quadro com o tratamento, então o diagnóstico é confirmado; se ela não tiver uma melhora, ou o diagnóstico está errado, ou o tratamento não foi eficaz para aquela cândida específica (ela está resistente ao tratamento). E é aí que a novela da irritação vaginal começa para as mulheres.

Quando suspeitar se o que eu tenho não é candidíase?

Em primeiro lugar, se o quadro não é completamente típico, ou seja, não é exatamente como eu descrevi no início do texto. A candidíase não tem cheiro, não tem ferida, e seu corrimento é bem branquinho. Em segundo lugar, se o tratamento que você fez visando acabar com a candidíase não melhorou em nada seus sintomas.

A maioria dos problemas vaginais é acompanhada de algum corrimento e irritação vaginal. Esse é o jeito da vagina dizer que não está bem. Como a candidíase é muito comum, na maioria das vezes ela faz parte do repertório das hipóteses diagnósticas. Mas é importante avaliar a possibilidade da presença de doenças sexualmente transmissíveis (DST), principalmente se a mulher fez práticas sexuais sem proteção recentemente.

As principais DST’s existentes hoje em dia são: HPV (papilomavírus humano), sífilis, gonorréia, tricomoníase, donovanose, herpes genital, cancro mole e infecção por clamídia. A diferença delas para a candidíase (e a Gardnerella) é que elas são causadas por “bichos” que não deveriam habitar a vagina, ou seja, se eles estão lá, é porque você os pegou pela via sexual. Como a presença deles na vagina causa uma doença, seu tratamento adequado é obrigatório.

Portanto, se você tem sintomas que não se encaixam perfeitamente no quadro de candidíase, e seu médico lhe receitou um tratamento para candidíase que não está melhorando nada, você deve voltar a vê-lo. A paciente tem uma responsabilidade muito grande em permitir a continuação do raciocínio médico, e ela o faz voltando ao médico para lhe contar que o tratamento não deu certo. Desta forma, o médico avança em seu raciocínio abrindo um leque de outras possibilidades que possam justificar sua queixa. Como a principal hipótese que ele tinha em mente não foi confirmada, ele provavelmente investigará as outras hipóteses com novos exames e tratamentos, até que se tenha uma conclusão desse enigma.

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Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog! Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e faço pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina. Trabalho como médica voluntária no Hospital das Clínicas e tenho consultório na clínica Célula Mater.
Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
Infelizmente não consigo responder a questões individuais através dos comentários. O objetivo desse blog é didático.
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