Mulher Saúde

Archive for the ‘clínica geral’ Category

A trombose é o nome que se dá quando o sangue coagula dentro do vaso sanguíneo, talha dentro do vaso, e assim, entope-o e impede a passagem de sangue naquele lugar. É a manifestação de que alguma coisa, naquela hora e naquele local, aconteceu de errado. Mas o que pode acontecer de errado?

O sangue fica no seu estado líquido apenas quando ele está em movimento. Se ele para, a tendência é coagular, talhar, virar sólido. Isso por que, no sangue, existem umas coisas chamadas plaquetas, que quando encostam umas nas outras, têm a tendência de se grudar. Se o sangue está correndo nas veias normalmente, sem nenhum obstáculo, a tendência é que todas as células permaneçam no seu caminho reto. Se aparece um obstáculo no caminho, ao invés do sangue permanecer indo reto, ele “tropeça” , chacoalha. Resultado: as plaquetas se trombam, e aumenta a chance delas grudarem umas nas outras e resultar numa trombose.

Abaixo temos um esquema do sangue encontrando um obstáculo em sua passagem:

sangue turbilhonamento.png

E o que eu sinto se tiver uma trombose?

O sangue não passa mais pelo vaso sanguíneo naquela região, e portanto não leva mais oxigênio para aquela parte. Quando isso acontece, as células que deveriam receber aquele oxigênio para viver começam a morrer, e isso dá muita dor. Também pode acabar inchando a região, principalmente se for nas pernas.

Abaixo temos um esquema do sangue e do vaso sanguíneo primeiro normal, e depois com uma trombose:

 

sangue vaso normal.pngtrombo.png

 

Existem algumas causas para que a trombose possa acontecer, que se dividem em 3 principais categorias:

1- Aconteceu algum machucado na parede do seu vaso sanguíneo (artéria ou veia), local esse apontado na figura acima como revestimento do vaso.

Quando houve o machucado (causado por exemplo por um aumento de pressão arterial, por um pico de glicose no sangue, ou por um trauma), essa alteração fez com que vc mandasse seu corpo cicatrizar aquela região. Quando vc foi cicatrizar a parede do seu vaso sanguíneo, o processo de cicatrização, acontecendo em contato direto com seu sangue (afinal, foi lá na passagem dele que aconteceu o machucado) acabou estimulando o sangue a coagular para fazer a “casquinha” do vaso sanguíneo. Se esse coágulo for grande demais e acabar bloqueando toda a passagem do sangue, e acontece a trombose.

Um exemplo de uma situação assim são os infartos fulminantes.

2- O sangue ficou parado muito tempo no mesmo lugar e acabou coagulando.

O sangue precisa estar em movimento para permanecer no estado líquido. Se ele para, acontecem umas reações químicas que o estimulam a coagular. Por isso, se existe um problema de má circulação, aumenta a chance de ter a trombose.

Exemplos de problema de má circulação são varizes mais graves e profundas, ou uma pessoa que está acamada.

3- Você tem um problema que faz seu sangue coagular mais do que deveria.

Alguma coisa acontece no seu sangue que faz com que ele coagule em resposta a estímulos que normalmente não deveriam fazer com que ele simplesmente talhasse. E algum estímulo pequeno aconteceu, e o coágulo se formou.

Um exemplo dessa situação é a menina que teve trombose enquanto toma pílula anticoncepcional, sem nenhum outro fator que tenha contribuído para ela ter a trombose. A pílula realmente aumenta um pouco a tendência do sangue a coagular. Porém, numa mulher que não tem nenhuma outra alteração no sangue, a chance de ela fazer uma trombose é muito pequena. Por isso, se teve uma trombose usando a pílula, e não houve nenhum dos fatores acima descritos, provavelmente tem alguma outra coisa além da pílula que resultou na formação dessa trombose.

Para falar especificamente sobre essas alterações, vou fazer outro texto, senão esse acaba ficando muito longo  😉

 

Anúncios

Na gravidez, a capacidade de coagulação (formar coágulos, talhar o sangue) aumenta conforme o avançar da gestação. Essa é a forma do corpo da gestante se preparar para hora do parto, para que possa controlar seu sangramento mais rapidamente. Porém, algumas mulheres podem ter uma facilidade natural de formar trombos (que são os coágulos dentro da veia), e acabar tendo quadro de trombose (formação de coágulo dentro da veia) durante a gravidez.

Quais são os sintomas da trombose?

A intensidade dos sintomas é muito variável, mas eles se apresentam com: dor persistente (que não melhora) na perna, que piora ao tentar alongar o músculo, acompanhada de inchaço; a batata da perna fica bem dura e quente.

Quem são as pacientes de maior risco?

  • Quadro de trombose anterior;
  • Familiar que teve trombose;
  • Portadoras de pressão alta, diabetes, obesidade, colesterol alto;
  • Mulheres que tiveram abortos consecutivos, principalmente os que acontecem a partir do segundo trimestre de gravidez;
  • Imobilização (ficar restrita à cama) prolongada, principalmente após cirurgias;
  • Varizes extensas (grandes, volumosas);
  • Paralisia.

O que fazer se for confirmada a trombose?

Avisar imediatamente seu obstetra, e procurar um pronto-socorro para começar o tratamento. A trombose é muito perigosa para mãe e para o neném, e se não for tratada e acompanhada adequadamente, pode ter resultados muito trágicos.

A partir do momento que a mulher teve um quadro de trombose, seu obstetra deve saber desse quadro toda vez que ela engravidar. Quem fez esse trombo uma vez terá facilidade de repeti-lo sempre, e a gravidez é um momento que esse risco está aumentado.

Quais as principais complicações se ela não for tratada adequadamente?

  • Embolia pulmonar: o trombo pode se soltar e ir até o pulmão, causando falta de ar e dor para respirar. A gravidade do quadro depende do tamanho do trombo, variando desde assintomático até insuficiência respiratória aguda.
  • Trombose na placenta: é a formação de trombos na placenta, que pode evoluir com insuficiência placentária (a placenta não consegue mais levar oxigênio e nutrientes para o neném). A gravidade também é extremamente variável, e nos quadros mais graves podendo levar até a morte desse neném.

Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
Follow Mulher Saúde on WordPress.com