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Quantas mulheres não recebem o resultado de seu exame preventivo e se assustam com essa palavra: inflamação!!! Acreditam que ela tem tudo a ver com aquela coceirinha chata, ou com aquele corrimento que vira e mexe volta a incomodar. Mas isso não é verdade e, portanto, resolvi escrever esse texto para tentar deixar claro o real significado desse resultado.

Antes de falar sobre o papanicolau, quero explicar o que significa o termo inflamação. No corpo humano, a resposta inflamatória, ou seja, a inflamação tem uma série de funções. A função mais conhecida dela é a de ativar, estimular o sistema imunológico (sistema de defesa do corpo contra doenças) quando o corpo é invadido por algum bicho oportunista. Por esse motivo, quando as pessoas escutam esse termo, imediatamente o associam a uma infecção. A infecção é sinônimo de um problema causado por algum bicho oportunista (bactérias, vírus, etc.). Porém, outra função importante da inflamação é atuar no processo de cicatrização do corpo. A cicatrização só ocorre quando há uma resposta inflamatória no local da lesão, e é essa resposta que resulta na produção da “nova pele” que recobrirá o local machucado.

Existem diversas causas que estimulam a inflamação na vagina. Aqui comentarei sobre duas, que são as mais freqüentes. A primeira é que, quando a mulher tem relação sexual, o atrito entre o pênis e a vagina causa micro-lesões, micro-fissuras. Para cicatrizar esses mini-machucados, há a inflamação. O outro motivo é hormonal: a progesterona, hormônio que aumenta na segunda fase do ciclo menstrual (vide o texto ciclo menstrual) deixa a mucosa da vagina mais fina, mais delicada. Isso, juntamente com outros mecanismos de regulação da flora vaginal, resulta numa inflamação local. É importante enfatizar que essa inflamação na vagina, causada por esses fatores naturais que mencionei acima, não dão sintomas irritativos. Faz parte do funcionamento natural da vagina, e por isso não necessitam de tratamento.

O papanicolau, como já expliquei no outro texto (papanicolau e corrimento) é um exame que tem como objetivo detectar alterações celulares no colo do útero que indicam a infecção ativa pelo vírus do HPV. Essa alteração, se não tratada e acompanhada adequadamente, pode evoluir para câncer. Por outro lado, se essa alteração for tratada adequadamente e a mulher fizer um seguimento anual com o papanicolau, a chance de evoluir para câncer é mínima, praticamente nula. Daí vem a enorme importância do papanicolau na manutenção da saúde e do bem estar das mulheres. Portanto, quando você receber o resultado de seu exame preventivo e estiver escrito inflamação, fique feliz, pois isso significa que sua vagina está ótima e seu exame é normal!

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O Papanicolau é um exame no qual são coletadas células do colo do útero, colocadas numa lâmina e vistas posteriormente no microscópio. O objetivo desse exame é detectar alterações nessas células que são sugestivas de infecção pelo vírus do HPV (Papilomavírus humano). Essa infecção, se não for tratada adequadamente, causa o câncer de colo de útero. Por isso o Papanicolau é tão importante, pois detecta essas primeiras alterações, permitindo assim o tratamento precoce e evitando um desfecho tão grave e maléfico.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, esse exame não tem como objetivo fazer diagnóstico de corrimento, mas sim dessas lesões causadas pelo HPV. A presença de um corrimento ou de uma infecção no momento do exame prejudica sua leitura, não permitindo que o patologista (médico que avalia esse exame e dá seu laudo, seu resultado) faça uma avaliação adequada da amostra.

Quando é encontrada a presença de Cândida ou Gardnerella nessa lâmina, não há porque se preocupar. Esses bichos participam da flora vaginal (compõe naturalmente o ambiente da vagina, “vivem”, “moram” lá). Desta forma, se na hora da coleta um deles for pego junto e colocado na lâmina, não significa que seu crescimento esteja aumentado e que ele precisa ser eliminado, tratado. Só há a necessidade de tratá-los caso a paciente apresente sintomas relacionados a esses bichos. Caso contrário, não tem porque ficar usando cremes e remédios sem necessidade (exceto na gravidez).

Que o exame ginecológico é uma coisa desconfortável toda mulher sabe. É a mistura de uma série de situações desgostosas: do momento em que permitimos que as partes mais íntimas do nosso corpo sejam examinadas por uma pessoa relativamente estranha; daquela posição na qual se pode ver dentro da nossa alma; e do incômodo que pode se transformar em dor na hora do exame em si.

Infelizmente, esse é o melhor exame para avaliar o bem estar dos órgãos genitais da mulher. Nós, diferente dos homens, temos a vagina voltada para dentro. Caso aconteça alguma coisa dentro dela, não há outro modo de saber senão indo ao médico. E como não dá para prever quando algo pode acontecer, você sempre deve ter o costume de ir anualmente ao ginecologista e fazer o papanicolau. Afinal, vagina a gente só tem uma, e se alguma coisa acontecer com ela, não dá para trocar outra nova!

Portanto, para melhorar o seu relacionamento com seus atuais e futuros ginecologistas, aí vão algumas dicas para tornar esse exame o menos incômodo possível:

  • Quando ficar na posição ginecológica, deixe o bumbum na beirada da cama, de modo que fique numa posição com as coxas bem abertas e fletidas sobre seu tronco (corpo, barriga);
  • Abra bem os dois joelhos;
  • Deixe o corpo bem relaxado sobre a cama, e não contraia o períneo (bumbum) na hora do exame. Para que isso ocorra, você deve manter uma concentração voluntária, senão com certeza seu instinto será contrair o bumbum;
  • Se sentir uma dor ou desconforto, não tente retirar o corpo. Avise seu médico da dor e peça para que ele pare por um momento.

É, realmente nessas horas é preciso tentar deixar a timidez de lado. Afinal, todas essas atitudes facilitarão muito o exame físico, resultando num momento menos desconfortável tanto para a paciente como para o médico.

Quando a paciente luta contra o exame, se encolhendo na mesa, todas as estruturas que tem que ser avaliadas no exame físico ficam mais longe, e o espaço que tem para chegar a elas fica bem apertado. Assim, o exame demora muito mais, e o ginecologista tem que se esforçar para conseguir fazer o melhor possível.

Portanto, por pior que possa ser o exame ginecológico, o melhor que se tem a fazer nessas horas é respirar fundo, se concentrar, e esperar que ele acabe o mais rápido possível!


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
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