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Por que a grávida fica com as pernas inchadas?

Conforme o útero da gestante cresce dentro da barriga, ele acaba apertando a veia que leva todo o sangue das pernas para de volta ao coração, assim dificultando esse retorno venoso (do sangue). Portanto, quanto maior o útero, pior esse inchaço. Ele normalmente ocorre a partir do segundo trimestre de gravidez, e se intensifica no terceiro.

O que fazer para diminuir esse inchaço?

  • Coloque as pernas para cima sempre que for possível. Quando chegar em casa, deite de lado com as pernas sobre um travesseiro;
  • Use meias elásticas, como as meias Kendall, de média compressão. Pode ser tanto as 3/4s, para quem tem pouco inchaço, como as 7/8s;
  • Evite de deitar com a barriga para cima, isso piora aquele aperto que o útero causa na veia da barriga. Deite sempre virada para o lado, de preferência o esquerdo;
  • Faça massagem, ou melhor, peça para alguém especial fazer massagem nas suas pernas, sempre na direção dos pés para a coxa, pois estimula o retorno venoso (o sangue sair das pernas e voltar para o coração);
  • Faça exercícios físicos. Ao contrair a batata da perna, você melhora o retorno venoso;
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Além de todo desconforto nos momentos finais de gestação, a grávida ainda tem que agüentar aquele exame chatíssimo! Mas, o que o obstetra tanto sente naqueles toques?

Bacia obstétrica:

Para que haja o parto normal, a grávida deve ter uma bacia por onde seja possível a passagem do neném. Para ter uma idéia se a bacia é boa, tem alguns sinais indiretos que podem ser avaliados:

  • Ângulo subpúbico: é a região logo abaixo do ossinho da frente da bacia, o púbis. Para avaliá-lo, palpa-se a parte anterior da vagina no toque vaginal. Ele deve ter uma angulação de 90º ou mais.
  • Palpação das espinhas isquiáticas: são protuberâncias da bacia que podem ser palpadas no toque vaginal. Quando são muito evidentes, podem significar que não há espaço suficiente para a passagem da cabeça do neném.
  • Avaliação da conjugata diaginalis: tenta-se alcançar o sacro (parte mais inferior da coluna vertebral) no fundo da vagina. Se ele é facilmente alcançável, também pode significar uma bacia estreita.
  • Palpação do diâmetro bituberoso: na posição ginecológica, com as pernas hiperfletidas sobre a bacia, palpa-se uma protuberância (tuberosidade isquiática) dos lados externos da vagina, que deve distar entre si mais que 9,5cm.

Avaliação do colo uterino:

Para fazer o acompanhamento do trabalho de parto, é essencial o avaliar a evolução da dilatação do colo uterino. Para examinar o colo, o obstetra introduz os dois dedos dentro dessa dilatação, e o quanto ele conseguir abrir os dedos dentro desse colo, corresponde a quanto tem de dilatação. Por isso que essa parte incomoda tanto, mas por mais incômoda que seja, não há outro jeito de avaliar a progressão da dilatação.

Além disso, ao introduzir os dedos no colo, o obstetra sente a cabeça do neném, também verificando se ela está descendo pela vagina com o progredir do trabalho de parto.

Para que haja o parto, deve-se ter uma dilatação total, que é padronizada como 10 cm. Na prática, é quando no toque não dá mais para sentir nada do colo, apenas a cabeça do neném.

Por que elas aumentam na gravidez?

Na gravidez, no segundo e terceiro trimestre, a barriga começa a pesar, e a postura da gestante se modifica para ela poder se equilibrar com esse peso a mais. Além disso, o esforço extra que a mamãe tem que fazer para carregar essa barriga causa um cansaço nos seus músculos, principalmente das pernas e das costas.

 Nesses últimos trimestres, o neném também começa a “roubar” muito cálcio da mãe para fazer seus ossos, resultando numa diminuição de cálcio no sangue materno, que pode predispor a ter mais câimbras.

O que você pode fazer para diminuir a freqüência das câimbras?

·                     Tenha uma alimentação rica em cálcio, comendo leite e/ou seus derivados (queijo, iogurte, etc) pelo menos três vezes por dia. Se você não gosta desses alimentos, peça ao seu obstetra um suplemento de cálcio.

·                     Evite o consumo de refrigerantes, pois eles têm muito fósforo, que rouba o lugar do cálcio dentro do organismo.

·                     Faça exercícios físicos, sempre alongando seus músculos antes e depois da atividade. Assim, você fortalece seus músculos, e eles não sentem tanta dificuldade em carregar esse peso extra da barriga.

·                     Mesmo que você não tenha feito exercícios no dia, alongue seus músculos, especialmente das costas e das pernas, antes de dormir.

·                     Atenção para uma postura correta, com as costas eretas.

·                     Ao sentar, sempre apóie os pés no chão, não fique com as pernas cruzadas. Tente ficar mexendo os tornozelos e pés quando estiver sentada para não deixá-los na mesma posição por muito tempo.

·                     Não ande de salto alto.

·                     Durma com os pés ligeiramente elevados para ajudar o retorno venoso (o sangue voltar para o coração). Tente mudar de posição, pois ficar sempre na mesma posição pode predispor as câimbras.

·                     Peça para seu companheiro fazer massagem nas costas e pernas, para relaxar os músculos.

O que fazer para aliviar a dor na hora da câimbra?

·                     Alongue o músculo acometido por bastante tempo. No começo dói mais, mas depois acaba melhorando.

·                     Depois que passar a dor aguda, faça massagem no músculo para relaxá-lo.

·                     Coloque uma bolsa de água quente, ou tome um banho gostoso para relaxar.

·                     Ás vezes dar uma caminhada também ajuda.

E se a dor não melhorar?

Se a dor não melhorar, ou piorar com essas medidas, você deve procurar um médico imediatamente. A permanência ou piora da dor é um sinal de alerta que alguma coisa mais grave pode estar acontecendo!

O que é?

Hemorróida é uma dilatação (aumento) das veias do ânus, que quando se tornam muito grandes, incomodam bastante. Mas, por ocorrer numa região muito íntima, muitas mulheres têm vergonha de falar sobre isso com seu médico, e acabam não sabendo como fazer para evitar que elas piorem , e quais os cuidados locais para aliviar os sintomas.

Principais sintomas:

·                     Geralmente não tem sintomas, apenas a presença de uma “bolinha” na região do ânus;

·                     Coceira no ânus (pela dificuldade de manter uma higiene adequada no local);

·                     Sangramento local, principalmente após a evacuação (“ir ao banheiro”);

        O que fazer para evitar que ela piore na gravidez?

Evitar ao máximo que seu intestino fique preguiçoso. Essa preguiça resulta em fezes mais duras, e na necessidade de fazer muita força para conseguir evacuar (“ir ao banheiro”). Para isso, tenha uma alimentação rica em fibras, com muitas frutas (com bagaço), verduras, saladas, aveia, alimentos integrais, etc. E beba muitos líquidos, para se manter hidratada. Além da alimentação, o exercício físico freqüente é imprescindível para o bom funcionamento do intestino (mais um ótimo motivo para que você não deixe de se exercitar durante a gravidez). Se mesmo assim você não conseguir vencer a preguiça do seu intestino, peça para seu obstetra lhe receitar um desses produtos naturais que facilitam a evacuação.

        Evite descansar e dormir de barriga para cima, pois o peso do útero nas veias de dentro da barriga dificulta o retorno venoso (o sangue voltar para o coração). Isso leva como se fosse um trânsito dentro das veias, forçando sua dilatação (aumento).

        Lembrete essencial:

        Antes que você faça esse auto-diagnóstico e siga minhas recomendações, é importante que seu médico te examine, pois nem sempre esses sintomas correspondem a hemorróida.

 

A maioria das recomendações gerais recebidas na gravidez vale para qualquer pessoa, grávida ou não, para que se tenha uma vida saudável. Algumas coisas, na gravidez, devem ser mais enfatizadas como não beber bebidas alcoólicas, fumar ou usar drogas, mas de resto, é basicamente levar uma vida relativamente balanceada, sem fazer grandes exageros. Porém, como a gravidez é uma época em que as atitudes que a mulher toma em relação ao seu corpo também influenciam diretamente uma outra pessoa, ou melhor, um projetinho de gente, esse acaba sendo um bom motivo para que a mulher comece a ter hábitos de vida mais saudáveis.

Acredito que todas as modificações que as pessoas façam no seu estilo de vida têm que ter uma forte motivação, e acho que a melhor delas é saber quais as conseqüências que essa modificação possa trazer para sua vida e seu corpo. Por isso gosto de mostrar essas possíveis conseqüências, tanto positivas quanto negativas, e desse modo cada um pode colocar na balança os riscos e benefícios de cada atitude com mais clareza e embasamento, e avaliar se essas modificações valem a pena ou não.

Se a mulher já tem um peso adequado para sua altura, ao engravidar, não precisa fazer grandes modificações na sua dieta, pois ela já está adequada. Se está acima do peso, é lógico que não deve iniciar nenhuma dieta mirabolante durante a gravidez, mas deve evitar ao máximo exageros e um ganho excessivo de peso na gestação pois, além disso ser um dos maiores causadores de estrias pela distensão da pele, tem uma série de outros problemas para mãe e para o feto.

Se a mulher engordar muito na gravidez, ela também aumenta a passagem de carboidratos e nutrientes para o feto, que acaba recebendo uma quantidade acima da necessária para que ele tenha o seu desenvolvimento, causando uma “obesidade intra-útero”. Isso leva a um aumento dos índices de hipoglicemia (açúcar baixo no sangue) assim que ele nasce, além do que, hoje já existe uma série de estudos mostram que esses recém nascidos mais gordinhos têm mais obesidade, diabetes, pressão alta e colesterol alto na vida adulta. Para a mulher, esse ganho de peso aumenta as chances dela desenvolver a diabetes gestacional, pré-eclâmpsia (pressão alta da gravidez), e complicações na hora do parto.

Ao final da gestação, o peso somado da placenta, do neném, do aumento das mamas e do útero é de aproximadamente 8Kg. De um modo geral, a mulher que engravidar com um peso adequado, deve engordar de 9 a 12Kg durante toda gestação, sendo que esse ganho deve ocorrer principalmente no segundo e terceiro trismestre. Aquelas que já estavam gordinhas antes de engravidar devem ganhar no máximo 9Kg.

 

 


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
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