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Vou fazer alguns posts sobre atividade física na gravidez, começando pelo começo: primeiro trimestre. Atividade física na gravidez é um assunto muito controverso. Por isso, não vou dar minha opinião pessoal sobre o assunto. Vou explicar as consequências da gravidez para o sistema locomotor e possíveis impactos da atividade física no corpo da gestante. 

No primeiro trimestre ocorre alguma alteração que interfira com atividade física?

Desde o início da gestação ocorrem alterações hormonais intensas. Dentre essas, há aumento do hormônio chamado relaxina que, como diz o nome, serve para relaxar todos os ligamentos do corpo. As consequências disso são articulações mais maleáveis e frouxas que facilitam a abertura da bacia no momento do parto. Porém, como disse anteriormente, todas as articulações do corpo sofrem interferência desse hormônio e, desta forma, todas ficam mais susceptíveis a lesões. 

Mas se as articulações estão mais frágeis, mais instáveis, isso proíbe atividade física de impacto?

Não. O fato dessas articulações estarem mais frágeis não proíbe nada, mas serve como alguns alertas:

– Se a gestante tiver alguma dor na articulação, na junta, ela deve procurar ajuda profissional para realizar fortalecimento muscular antes de iniciar atividade física. O fortalecimento da musculatura ajuda o músculo a absorver o impacto da articulação, retirando a sobrecarga e prevenindo lesões.

– Se houver aparecimento de dores articulares relacionadas ao exercício, pare imediatamente e procure atendimento especializado.

Se a mulher for sedentária e engravidar, ela pode começar a fazer atividade física na gravidez?

Sim, mas com cautela. Escolher exercícios de intensidade leve a moderada, e neste caso, sem impacto. A mulher sedentária não tem um preparo muscular adequado para começar a fazer uma atividade física de impacto, como corrida. E neste caso, o risco de se machucar é maior que o benefício da corrida. Por isso, é melhor procurar exercícios sem impacto e musculação. 

Para saber se a intensidade está adequada, a mulher precisa se sentir cansada, mas ao mesmo tempo conseguir conversar sem ficar com falta de ar. A frequência cardíaca é em torno de 140 batimentos por minuto nesta intensidade. A periodicidade ideal é 3 vezes por semana, não passar mais de 30 minutos contínuos de exercícios.

Se a mulher já fizer atividade física antes de engravidar, ela precisa mudar alguma coisa na rotina de treinos?

Depende do que ela pratica. A maioria das modalidades não interferem com a gravidez, e a mulher pode continuar treinando normalmente. Algumas recomendações gerais que acredito ser importante frisar:

– Evitar treinar em ambientes de temperaturas extremas, principalmente quente e úmido.

– Evitar contato físico com potencial lesivo.

Dicas para treinar melhor:

– Sempre comer antes e depois de treinar!!! Pense que na gravidez, existe um bebê que está o tempo todo roubando sua glicose e nutrientes pelo cordão umbilical. Por isso, a grávida tem que comer algo leve antes do treino, e se for treinar mais que 20 minutos, ingerir algo com glicose durante o treino. Após o treino, comer novamente para restabelecer as energias perdidas. 

– Tênis: aconselho ter um par de tênis novo para garantir que o amortecimento do calçado esteja bom e funcionando.

– Top: que segure muito bem as mamas, com uma alça larga para distribuir melhor a sustentação. Pense que umas das primeiras modificações da gravidez é o aumento das mamas. Elas sofrem o efeito da gravidade mesmo durante a gravidez e amamentação. Por isso, use um top que segure bem os peitos para evitar que eles balancem demais e, com isso, sintam os efeitos da gravidade que puxa para baixo e não perdoa.

 

 

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A prática de exercícios físicos melhora a saúde física e mental de qualquer pessoa. Mas uma mulher sedentária, ao engravidar, não deve querer virar atleta da noite para o dia! Para aquelas que nunca fizeram exercícios, é preciso começar com calma. Fazer atividades leves e com pouco impacto, como uma caminhada (com um tênis adequado), hidroginástica, bicicleta ergométrica, ioga, entre outros.

A ioga, na gravidez, é excelente! Todos os fundamentos de respiração, meditação, alongamento e fortalecimento muscular ajudam a gestante a sentir menos dores e câimbras durante a gestação. Além disso, esses aprendizados são muito otimizados na hora do parto, ajudando-a a encarar esse momento com um melhor autocontrole da situação. A respiração e a meditação serão importantíssimas na hora das contrações, e a força e o alongamento, na hora final do parto (a hora que a mãe tem que fazer aquela força boa para o neném nascer).

Andar de bicicleta também é ótimo para a preparação do parto! Ao sentar no selim (que é o banquinho da bicicleta), ocorre automaticamente um alongamento e fortalecimento da musculatura do períneo (a musculatura lá de baixo). Assim, na hora do parto, essa vagina conseguirá ter uma força maior para ajudar no nascimento, e mais elasticidade de seus tecidos, desta forma se adaptando melhor ao parto.

Agora, se a mulher já praticava exercícios antes de ficar grávida, pode continuar a praticá-los normalmente, até o segundo trimestre, quando a barriga começa a ficar maior e alguns tipos de exercício com impacto como corrida ou esportes, acabam se tornando inadequados. Isso porque conforme a barriga cresce, o centro de gravidade (equilíbrio) da gestante se altera, e a postura dela acaba mudando. Exercícios de impacto poderiam trazer problemas para a coluna, quadril e joelhos, sendo aconselhado nesse momento exercícios sem impactos (como os descritos acima).

As vantagens dos exercícios, fora as que já foram comentadas, são: melhorar o inchaço na pernas, evitar que a gestante ganhe muito peso na gravidez, prevenir de doenças como pré-eclâmpsia (pressão alta no final da gravidez), diabetes e problemas respiratórios, melhora sintomas de depressão e ansiedade, a qualidade do sono, etc. Eu podia ficar listando eternamente essas vantagens, mas nada como a própria pessoa experimentar fazer exercícios frequentemente, para sentir na pele como realmente a vida melhora com eles!


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
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