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A definição clássica da síndrome dos ovários policísticos é a mulher que tenha dois dos três sinais a seguir:

  • Menstruação irregular
  • Ovários com características micropolicísticas ao ultrassom
  • Aumento da produção de hormônio masculino

O que significa cada uma dessas coisas?

A menstruação é entendida como irregular quando a mulher tem um intervalo entre uma menstruação e outra maior que 35 dias. Ou seja, a partir do primeiro dia de sangramento de um ciclo, até o primeiro dia de sangramento do próximo ciclo, se passam mais do que 35 dias. O ciclo normal, tido como regular, é aquele que o intervalo é entre 25 e 34 dias. Para entender melhor o ciclo menstrual, leia o texto “entendendo seu ciclo menstrual”.

Quando isso acontece, existe uma forte suspeita que a mulher não esteja conseguindo ter sua ovulação. Isso porque é a ovulação quem regula o ciclo, fazendo acontecer a produção de progesterona e, 14 dias depois, a menstruação.

Se a mulher não ovula, o que acontece com os hormônios?

Quando a mulher não ovula, ela produz apenas os hormônios da primeira fase do ciclo menstrual, a fase folicular. A produção de estrogênio se mantém baixa e contínua. Dessa forma, ele vai aumentar a produção do LH e diminuir a do FSH.

O FSH é responsável por estimular o amadurecimentos dos folículos dos óvulos. Se ele fica baixo, ele não consegue concluir esse processo, e assim, a mulher acaba tendo vários folículos pequenos, sem que nenhum consiga crescer e ovular. Por isso a característica micropolicística ao exame de ultrassom.

Obs: Micro = pequeno; cisto = saco fechado com conteúdo líquido.

Abaixo coloquei uma imagem de um ovário normal (direita) e ao lado, um ovário micropolicístico (esquerda).

Abaixo repeti essas imagens com legenda.

slide1

O ovário é visto como uma imagem circular de cor cinza um pouco mais escura. A esquerda, dentro dele, vemos os folículos, que são bolinhas pretas. A direita, ovário é praticamente todo cheio de bolinhas pretas dentro dele. Esses são os micropolicistos, que na verdade são vários folículos que não conseguem progredir no amadurecimento dos óvulos.

Outra consequência da falta de ovulação é que o estrogênio mantém o LH mais alto e constante. O LH atua diretamente nas células do ovário para que elas produzam hormônios masculinos como a testosterona. Se ele está o tempo inteiro mandando essa informação para os ovários, a mulher acaba tendo uma produção excessiva desses e tendo sintomas como:

  • Crescimento de pelos em locais tipicamente masculinos: face (barba e bigode), braços (mais na parte de cima dos braços, perto dos ombros), peito, barriga, costas, nádegas e raiz das coxas.
  • Aumento de oleosidade da pele e acne
  • Perda de cabelo na região da testa e/ou no topo da cabeça

Para concluir, portanto, dizemos que uma mulher tem a síndrome dos ovários policísticos quando ela apresenta duas dessas três características: menstruação irregular, ovários micropolicístico ao ultrassom, sintomas de aumento de hormônio masculino.

 

 

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O que são ovários policísticos?

Existe uma diferença entre o significado de ovários policísticos e a síndrome dos ovários policísticos. Ovários policísticos são visualizados no exame de ultrassom como tendo um tamanho maior e contendo pequenos cistos. A síndrome dos ovários policísticos é definida como a mulher que tem menstruação irregular (ausência de ovulação nos ciclos menstruais) e sinais de aumento de hormônio masculino (visto principalmente por aumento de pelos em locais como buço, barba, peito, abdome, dorso, nádegas e coxas). Além desses sintomas, para que a mulher seja diagnosticada com a síndrome dos ovários policísticos, deve-se excluir outros problemas que poderiam cursar com os mesmos sintomas.

Qual o problema de ter a síndrome dos ovários policísticos?

– Alteração hormonal

A síndrome dos ovários policísticos resulta da alteração no equilíbrio dos hormônios envolvidos no ciclo menstrual, tendo como consequência tem a ausência da ovulação. É muito comum verificar nessas mulheres uma resistência aumentada a insulina, como uma pré-diabetes. Por isso a investigação desse achado de ovários policísticos ao ultrassom deve conter a avaliação do metabolismo de glicose.

– Ausência de ovulação

A falta de ovulação pode ter 3 problemas. O primeiro, mais fácil de perceber, é dificuldade de engravidar. Os outros têm relação com a alteração hormonal decorrente da falta de ovulação. Como vimos no texto sobre o ciclo menstrual, após a ovulação o ovário produz progesterona, que tem um efeito contrário ao estrogênio no endométrio (camada de dentro do útero, responsável pela menstruação). O estrogênio tem efeito de fazer o endométrio crescer, aumentar. A progesterona bloqueia essa ação de crescimento do endométrio.

Se a mulher não ovula, ela fica o tempo todo com seu endométrio sendo estimulado pelo estrogênio. O sangramento que ela vai ter não é de menstruação, não é um evento auto-limitado e controlado por uma série de mecanismos naturais. Esse sangramento ocorre pois o endométrio cresce demais e não “aguenta”, se desprende da cavidade, do interior do útero e sangra. Isso pode levar a sangramentos mais intensos, hemorragias, eventualmente com necessidade de tratamento com medicações para conte-lo.

Esse desequilíbrio hormonal a longo prazo pode aumentar a chance da mulher apresentar tumores estrogênio-dependentes, principalmente tumores de endométrio.

Qual o problema de ter ovários policísticos?

O fato da mulher apresentar os ovários com características policísticas não quer dizer muita coisa quando ocorre isoladamente. Esse é apenas um sinal que pode indicar alguma alteração, mas pode não indicar nada. Existem ovários que tem função normal, ovulam mensalmente, e têm esse aspecto micropolicístico. Mas, como esse fenômeno pode estar associado a síndrome dos ovários policísticos, esse diagnóstico deve ser investigado.


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
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