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O que são ovários policísticos?

Existe uma diferença entre o significado de ovários policísticos e a síndrome dos ovários policísticos. Ovários policísticos são visualizados no exame de ultrassom como tendo um tamanho maior e contendo pequenos cistos. A síndrome dos ovários policísticos é definida como a mulher que tem menstruação irregular (ausência de ovulação nos ciclos menstruais) e sinais de aumento de hormônio masculino (visto principalmente por aumento de pelos em locais como buço, barba, peito, abdome, dorso, nádegas e coxas). Além desses sintomas, para que a mulher seja diagnosticada com a síndrome dos ovários policísticos, deve-se excluir outros problemas que poderiam cursar com os mesmos sintomas.

Qual o problema de ter a síndrome dos ovários policísticos?

– Alteração hormonal

A síndrome dos ovários policísticos resulta da alteração no equilíbrio dos hormônios envolvidos no ciclo menstrual, tendo como consequência tem a ausência da ovulação. É muito comum verificar nessas mulheres uma resistência aumentada a insulina, como uma pré-diabetes. Por isso a investigação desse achado de ovários policísticos ao ultrassom deve conter a avaliação do metabolismo de glicose.

– Ausência de ovulação

A falta de ovulação pode ter 3 problemas. O primeiro, mais fácil de perceber, é dificuldade de engravidar. Os outros têm relação com a alteração hormonal decorrente da falta de ovulação. Como vimos no texto sobre o ciclo menstrual, após a ovulação o ovário produz progesterona, que tem um efeito contrário ao estrogênio no endométrio (camada de dentro do útero, responsável pela menstruação). O estrogênio tem efeito de fazer o endométrio crescer, aumentar. A progesterona bloqueia essa ação de crescimento do endométrio.

Se a mulher não ovula, ela fica o tempo todo com seu endométrio sendo estimulado pelo estrogênio. O sangramento que ela vai ter não é de menstruação, não é um evento auto-limitado e controlado por uma série de mecanismos naturais. Esse sangramento ocorre pois o endométrio cresce demais e não “aguenta”, se desprende da cavidade, do interior do útero e sangra. Isso pode levar a sangramentos mais intensos, hemorragias, eventualmente com necessidade de tratamento com medicações para conte-lo.

Esse desequilíbrio hormonal a longo prazo pode aumentar a chance da mulher apresentar tumores estrogênio-dependentes, principalmente tumores de endométrio.

Qual o problema de ter ovários policísticos?

O fato da mulher apresentar os ovários com características policísticas não quer dizer muita coisa quando ocorre isoladamente. Esse é apenas um sinal que pode indicar alguma alteração, mas pode não indicar nada. Existem ovários que tem função normal, ovulam mensalmente, e têm esse aspecto micropolicístico. Mas, como esse fenômeno pode estar associado a síndrome dos ovários policísticos, esse diagnóstico deve ser investigado.

O ciclo menstrual é o resultado da interação de uma série de hormônios produzidos na mulher, que interagem entre si. Os hormônios envolvidos nesse processo são produzidos no cérebro (FSH e LH) e nos ovários (estrógeno(E) e progesterona(P)). Os hormônios produzidos no cérebro possuem basicamente a função de regular os hormônios ovarianos, sem outras ações no corpo. Já os ovarianos, além de regular o ciclo menstrual, tem outras ações.

Regulação hormonal:

FSH→estimula→E→estimula→LH→estimula→P

    FSH←inibe←E                             LH←inibe←P

Ações hormonais no útero:

Estrógeno: faz o endométrio (camada de dentro do útero) crescer, ficar espessa.

Progesterona: faz o endométrio ficar estável, firme, e mais irrigado, com mais vasos sanguíneos. Também leva a um aumento das glândulas secretoras, resultando num aumento da secreção vaginal fisiológica (normal).

Ciclo menstrual:

Fase folicular:

Inicia-se no primeiro dia do ciclo: o primeiro dia da menstruação. Nessa fase ocorre um aumento do FSH, que estimula o desenvolvimento de alguns folículos, com conseqüente aumento da sua produção (pelos folículos) de estrógeno.

Os folículos são as estruturas compostas por um “futuro óvulo” (célula que se transforma no óvulo ao ficar madura) rodeado por células produtoras de hormônios, a granulosa. São essas as estruturas que, quando são vistas no ultra-som, podem ser descritas como pequenos cistos.

No início da fase folicular há uma estimulação desses folículos, até que um deles se torne o dominante, ou seja, produz uma quantidade de estrógeno suficiente para inibir a produção de FSH. Quando há essa queda do FSH, os outros folículos que estavam se desenvolvendo “murcham”, e param de amadurecer.

Ovulação:

Esse folículo dominante, ao produzir altas doses de estrógeno, induz uma grande liberação do LH, que é chamada de “pico de LH”. É esse “pico de LH” o responsável pela ovulação, ou seja, se não houver esse “pico de LH”, não há ovulação.

A ovulação é a saída do óvulo de dentro daquela camada de células produtoras de hormônios (que está no ovário), para dentro da tuba uterina, onde espera para ser fecundado por um espermatozóide.

Fase lútea:

Essas células da granulosa, sem esse óvulo dentro, agora se chamam corpo lúteo. O corpo lúteo, quando é visto no ultra-som, pode ser descrito como um cisto simples, e é completamente fisiológico (normal).

Esse corpo lúteo é mantido pelo hormônio LH, e produz predominantemente progesterona. Porém, como a progesterona inibe a produção do LH, ele acaba “murchando” aproximadamente 14 dias após a ovulação. Quando isso ocorre, resulta na menstruação.

 


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
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