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Para falar sobre resistência insulínica, antes precisamos entender como funciona a relação entre a glicose e a insulina. A glicose é o principal combustível das nossas células. Ela é obtida pela alimentação, quando comemos carboidratos.

O que são os carboidratos?

Carboidratos são formados pela junção de várias moléculas de açúcar. Açúcar aqui não é aquele pozinho doce, mas sim o nome dado a estrutura formada por átomos de carbono (carbo), hidrogênio (hidrato) e oxigênio, representados principalmente pela glicose, frutose e galactose. Alguns exemplos de alimentos ricos em carboidrato são: batata, arroz, massas, pão e doces.

Como o carboidrato se transforma em glicose?

Quando comemos um alimento com carboidrato, esse é quebrado por nossas enzimas digestivas e transformado em várias moléculas de glicose. Ela é facilmente absorvida pelo nosso intestino, como se escorregasse do intestino para o sangue.

Como a glicose vai do sangue para dentro das células?

O aumento da concentração sanguínea de glicose manda um sinal para o pâncreas produzir e liberar a insulina. Ela é hormônio responsável por colocar a glicose do sangue para dentro das células.

Imagine que a célula é uma casa, e a glicose é uma pessoa tentando entrar nessa casa. Para entrar, ela precisa destrancar a porta da casa. A chave para destrancar a porta seria a insulina, e a fechadura da porta seria o receptor de insulina. Quando a porta é destrancada, a pessoa entrará na casa passando pela porta, que, no caso do nosso corpo, seria a glicose entrando na célula pelo seu canal transportador, chamado GLUT4. Abaixo coloquei duas imagens para ajudar a entender esse mecanismo:

Portanto, para a glicose passar do sangue para dentro da célula, primeiramente a insulina deve se ligar ao seu receptor, resultando na abertura do GLUT4. Essa abertura permitirá a entrada da glicose.

O que é a resistência insulínica?

A resistência insulínica é como se a porta tivesse muitas fechaduras trancadas a serem abertas pela insulina. Portanto, se for destrancada apenas uma das fechaduras, a porta ainda não abre. Para abrir, ela precisa destrancar todas suas fechaduras.

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A resistência insulínica é quando nossa célula precisa de uma quantidade maior de insulina para fazer a glicose entrar na célula.

 

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A definição clássica da síndrome dos ovários policísticos é a mulher que tenha dois dos três sinais a seguir:

  • Menstruação irregular
  • Ovários com características micropolicísticas ao ultrassom
  • Aumento da produção de hormônio masculino

O que significa cada uma dessas coisas?

A menstruação é entendida como irregular quando a mulher tem um intervalo entre uma menstruação e outra maior que 35 dias. Ou seja, a partir do primeiro dia de sangramento de um ciclo, até o primeiro dia de sangramento do próximo ciclo, se passam mais do que 35 dias. O ciclo normal, tido como regular, é aquele que o intervalo é entre 25 e 34 dias. Para entender melhor o ciclo menstrual, leia o texto “entendendo seu ciclo menstrual”.

Quando isso acontece, existe uma forte suspeita que a mulher não esteja conseguindo ter sua ovulação. Isso porque é a ovulação quem regula o ciclo, fazendo acontecer a produção de progesterona e, 14 dias depois, a menstruação.

Se a mulher não ovula, o que acontece com os hormônios?

Quando a mulher não ovula, ela produz apenas os hormônios da primeira fase do ciclo menstrual, a fase folicular. A produção de estrogênio se mantém baixa e contínua. Dessa forma, ele vai aumentar a produção do LH e diminuir a do FSH.

O FSH é responsável por estimular o amadurecimentos dos folículos dos óvulos. Se ele fica baixo, ele não consegue concluir esse processo, e assim, a mulher acaba tendo vários folículos pequenos, sem que nenhum consiga crescer e ovular. Por isso a característica micropolicística ao exame de ultrassom.

Obs: Micro = pequeno; cisto = saco fechado com conteúdo líquido.

Abaixo coloquei uma imagem de um ovário normal (direita) e ao lado, um ovário micropolicístico (esquerda).

Abaixo repeti essas imagens com legenda.

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O ovário é visto como uma imagem circular de cor cinza um pouco mais escura. A esquerda, dentro dele, vemos os folículos, que são bolinhas pretas. A direita, ovário é praticamente todo cheio de bolinhas pretas dentro dele. Esses são os micropolicistos, que na verdade são vários folículos que não conseguem progredir no amadurecimento dos óvulos.

Outra consequência da falta de ovulação é que o estrogênio mantém o LH mais alto e constante. O LH atua diretamente nas células do ovário para que elas produzam hormônios masculinos como a testosterona. Se ele está o tempo inteiro mandando essa informação para os ovários, a mulher acaba tendo uma produção excessiva desses e tendo sintomas como:

  • Crescimento de pelos em locais tipicamente masculinos: face (barba e bigode), braços (mais na parte de cima dos braços, perto dos ombros), peito, barriga, costas, nádegas e raiz das coxas.
  • Aumento de oleosidade da pele e acne
  • Perda de cabelo na região da testa e/ou no topo da cabeça

Para concluir, portanto, dizemos que uma mulher tem a síndrome dos ovários policísticos quando ela apresenta duas dessas três características: menstruação irregular, ovários micropolicístico ao ultrassom, sintomas de aumento de hormônio masculino.

 

 


Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
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