Mulher Saúde

Para saber se você tem o diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos, é preciso antes entender um pouco a definição dessa síndrome. A definição clássica da síndrome dos ovários policísticos é a mulher que tenha dois dos três sinais a seguir:

  • Menstruação irregular
  • Ovários com características micropolicísticas ao ultrassom
  • Aumento da produção de hormônio masculino

O que significa cada uma dessas coisas?

A menstruação é entendida como irregular quando a mulher tem um intervalo entre uma menstruação e outra maior que 35 dias. Ou seja, a partir do primeiro dia de sangramento de um ciclo, até o primeiro dia de sangramento do próximo ciclo, se passam mais do que 35 dias. O ciclo normal, tido como regular, é aquele que o intervalo é entre 25 e 34 dias. Para entender melhor o ciclo menstrual, leia o texto “entendendo seu ciclo menstrual”.

Obs: Não é possível avaliar o ciclo menstrual se a mulher usar como anticoncepcional: pílula, anel vaginal (nuvaring), adesivo evra, injeção ou DIU Mirena.

Quando isso acontece, existe uma forte suspeita que a mulher não esteja conseguindo ter sua ovulação. Isso porque é a ovulação quem regula o ciclo, fazendo acontecer a produção de progesterona e, 14 dias depois, a menstruação.

Se a mulher não ovula, o que acontece com os hormônios?

Quando a mulher não ovula, o que acontece é que ela produz apenas os hormônios da primeira fase do ciclo menstrual, a fase folicular. Essa mulher tem uma produção de estrogênio que se mantém baixa e contínua. Dessa forma, ele vai estimular a produção do LH e diminuir a do FSH.

Como já vimos anteriormente no texto “entendendo seu ciclo menstrual”, o FSH é responsável por estimular o amadurecimentos dos folículos dos óvulos. Se ele fica baixo, ele não consegue concluir esse processo, e assim, a mulher acaba tendo vários folículos pequenos, sem que nenhum consiga crescer e ovular. Lembrem-se que esses folículos, quando observados diretamente, são bolinhas de água com hormônios. Por isso a característica micropolicística ao exame de ultrassom.

Obs: Micro = pequeno; cisto = saco fechado com conteúdo líquido.

Abaixo coloquei uma imagem de um ovário normal e ao lado, um ovário micropolicístico.

A imagem da direita é o ovário normal. O ovário é essa bola de cor cinza um pouco mais escura, e dentro dele vemos umas bolinhas pretas, que são os folículos. A imagem da direita é de um ovário micropolicístico. Esse ovário é praticamente inteiro cheio de bolinhas pretas dentro dele. Esses são os micropolicistos, que na verdade são vários folículos que não conseguem progredir no amadurecimento dos óvulos.

Outra coisa que acontece por consequência da falta de ovulação é que o estrogênio mantém o hormônio LH mais alto e constante. O LH, além de ser responsável pela ovulação, quanto aumenta rapidamente (o que não acontece nesse caso), ele atua diretamente nas células do ovário para que elas produzam hormônios masculinos como a testosterona. Se ele está o tempo inteiro mandando essa informação para os ovários, a mulher acaba tendo uma produção excessiva desses e tendo sintomas como:

  • Crescimento de pelos em locais tipicamente masculinos: face (barba e bigode), braços (mais na parte de cima dos braços, perto dos ombros), peito, barriga, costas, nádegas e raiz das coxas.
  • Aumento de oleosidade da pele e acne

Para concluir, portanto, dizemos que uma mulher tem a síndrome dos ovários policísticos quando ela apresenta duas dessas três características: menstruação irregular, ovários micropolicísticoa ao ultrassom, sintomas de aumento de hormônio masculino.

 

 

O ciclo menstrual é definido pelo intervalo entre o primeiro dia de sangramento de uma menstruação até o primeiro dia de sangramento da próxima menstruação.

O que acontece com nosso corpo entre esse intervalo?

O ciclo menstrual é o jeito que o corpo tem de fazer a mulher ter uma ovulação. Portanto, para explicar porque na maioria das vezes ele é regular e tem em média 28 dias, preciso falar dos hormônios que controlam o ciclo.

Os 4 principais hormônios que atuam no ciclo menstrual são: estrogênio (ou estradiol), progesterona, hormônio folículo estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). Desses hormônios, o estrogênio e a progesterona são produzidos nos ovários, e o FSH e o LH são produzidos no cérebro (mais especificamente num lugar chamado hipófise, por isso são chamados hormônios hipofisários).

O ciclo é dividido em 3 partes: fase folicular, ovulação e fase lútea. A fase folicular é desde o primeiro dia de sangramento até a ovulação. Costuma durar 14 dias, que é a média que uma mulher demora para deixar o óvulo maduro, no ponto bom para ovular. A ovulação é o momento que o óvulo sai do ovário e vai para nossas trompas. A fase lútea é a fase entre a ovulação e a vinda de uma nova menstruação, que costuma durar 14 dias também. Abaixo, coloquei um gráfico que parece impossível de entender, mas ao longo desse texto vou explicar o que significa cada uma das suas informações, e ela vai ficar cada vez mais clara.

Gráfico 1

ciclo menstrual tabela completa.jpg.png

Para entender o ciclo menstrual, temos que observar as funções desses hormônios em 2 lugares: ovário e endométrio (camada de dentro do útero). Abaixo coloquei um esquema do útero para podermos entender o que são os ovários e o endométrio (camada de dentro do útero). Eu também indiquei as trompas, pois vamos voltar a falar nelas.

Figura 1

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O que esses hormônios fazem no nosso corpo?

FSH

Como já disse anteriormente, ele é produzido no cérebro, e seu efeito principal é atuar nos ovários para estimular sua produção de estrogênio. Mas como os ovários produzem estrogênio? Abaixo temos um desenho do ovário mostrando dentro dele os folículos, que são os locais onde o ovário produz estrogênio. Ao lado dele tem uma foto de um exame de ultrassom realizado nessa fase do ciclo menstrual.

Figura 2

 

Primeiro vou explicar melhor esse desenho. Estão vendo essas bolinhas cinzas que foram desenhadas dentro do ovário? Esses são os folículos. Os folículos são umas bolinhas cheias de água e hormônios, e cada uma dessas bolinhas tem um óvulo que ainda está imaturo, ou seja, ainda não está pronto para ovular. A imagem do lado, do ultrassom, entendemos da seguinte forma: Estão vendo que a seta que indica o ovário aponta para uma parte que parece uma bola de cor cinza mais escuro. Esse é o ovário. Dentro dela tem umas bolinhas pretas. Essas bolinhas pretas são os folículos. Por que estou explicando isso? Para você entender a linha daquele primeiro gráfico na parte de “ciclo do óvulo”, e o que o FSH faz para isso acontecer.

O FSH vai atuar nesses folículos, estimulando que eles cresçam e façam o processo de amadurecimento dos óvulos que estão dentro deles. Apenas um deles vai terminar o processo de amadurecimento e ter a ovulação. Os outros que não conseguirem terminar esse processo vão morrer e ser absorvidos pelo nosso corpo. A linha do gráfico 1 “ciclo do óvulo” mostra o desenho do folículo que terminou o processo de amadurecimento do óvulo e chegou na ovulação.

Estrogênio

O estrogênio é um hormônio muito importante para regular o ciclo menstrual. Ele, conforme vai aumentando, manda um sinal para o cérebro fazer duas coisas: Diminuir a quantidade de FSH produzida, e aumentar a quantidade do LH. Quando ele diminui a quantidade de FSH produzida, ele faz com que apenas o folículo que responde melhor ao FSH continue o desenvolvimento. Quando ele aumenta o LH, ele inicia o processo da ovulação, pois o LH é o hormônio que faz ela contecer.

Além dessa regulação dos hormônios, é importante sabermos o efeito do estrogênio no endométrio. O estrogênio faz o endométrio ficar mais grosso, mais carnudo. É isso que significa a linha do “ciclo uterino” no gráfico 1. Lá, é mostrado a descamação do endométrio, que é a menstruação, e logo após mostra como ele vai ficando grosso, espesso, novamente. Abaixo coloquei uma foto de ultrassom em que as imagens de cima são do ovário, e as de baixo do útero e endométrio.

Figura 3

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Nessas imagens a gente vê o seguinte: em cima a esquerda é o óvulo na fase folicular, conforme expliquei anteriormente. Quando vemos o óvulo desse jeito ao ultrassom, costumamos ver o útero conforme a imagem da esquerda embaixo. O útero é essa bola cinza mais escuro, e dentro dele vemos uma linha branca, que é da onde sai a seta. Aquilo é o endométrio após a menstruação, quando ele ainda está fino. A imagem da direita em cima, vemos uma bola preta maior. Isso nada mais é que o folículo que ficou maduro, e está no ponto da ovulação. Na direita embaixo vemos o útero de novo, que é essa bola cinza escuro maior, e dentro dele dá para ver que o endométrio ficou mais grosso, e até parecem 3 traços. Esse é o endométrio que teve o efeito do estrogênio, e por isso cresceu. É chamado de trilaminar, ou seja, 3 lâminas, e esse nome vem da imagem que vemos dessas 3 linhas.

LH

Esse é o hormônio que faz acontecer a ovulação. No meio do ciclo menstrual temos um pico, um aumento da produção do estrogênio que, como vimos, é quem estimula o LH. O pico, o aumento do LH, faz com que o óvulo maduro saia de dentro o ovário e vá para as trompas uterinas (figura 1).

Após a ovulação, o LH é o hormônio responsável por estimular a produção da progesterona. A progesterona é produzida numa estrutura chamada corpo lúteo, que nada mais é que aquele folículo maduro que teve a ovulação, agora sem o óvulo dentro. Abaixo coloquei mais imagens de ultrassom, para mostrar o que acontece no ovário em cada uma das fases do cilo menstrual.

Figura 4

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Na primeira foto, novamente os folículos imaturos como as bolinhas pretas. Na segunda foto, o folículo maduro, que é a bola preta maior. Na terceira foto, repare que parece que vc esta vendo uma imagem que se parece com uma bola murcha. Compare ela com a segunda foto. O corpo lúteo é exatamente isso, o folículo que rompeu e murchou.

Progesterona

Esse hormônio só é produzido caso a mulher tenha tido a ovulação. Isso por que ele é produzido no corpo lúteo. Se a mulher por qualquer motivo não tiver ovulado, ela não o produzirá.

A progesterona tem um efeito muito importante de transformar o endométrio, que já está grosso por causa do efeito do estrogênio, num ambiente bom para o embrião grudar caso haja uma fecundação (encontro do óvulo com o espermatozóide).

Além disso, ela diminui a produção do LH. Como esse é o hormônio que mantém o corpo lúteo funcionando, quando o LH diminui, o corpo lúteo para de funcionar e de produzir a progesterona.

Esse é o fim do ciclo menstrual, e início de mais uma menstruação.

A trombose é o nome que se dá quando o sangue coagula dentro do vaso sanguíneo, talha dentro do vaso, e assim, entope-o e impede a passagem de sangue naquele lugar. É a manifestação de que alguma coisa, naquela hora e naquele local, aconteceu de errado. Mas o que pode acontecer de errado?

O sangue fica no seu estado líquido apenas quando ele está em movimento. Se ele para, a tendência é coagular, talhar, virar sólido. Isso por que, no sangue, existem umas coisas chamadas plaquetas, que quando encostam umas nas outras, têm a tendência de se grudar. Se o sangue está correndo nas veias normalmente, sem nenhum obstáculo, a tendência é que todas as células permaneçam no seu caminho reto. Se aparece um obstáculo no caminho, ao invés do sangue permanecer indo reto, ele “tropeça” , chacoalha. Resultado: as plaquetas se trombam, e aumenta a chance delas grudarem umas nas outras e resultar numa trombose.

Abaixo temos um esquema do sangue encontrando um obstáculo em sua passagem:

sangue turbilhonamento.png

E o que eu sinto se tiver uma trombose?

O sangue não passa mais pelo vaso sanguíneo naquela região, e portanto não leva mais oxigênio para aquela parte. Quando isso acontece, as células que deveriam receber aquele oxigênio para viver começam a morrer, e isso dá muita dor. Também pode acabar inchando a região, principalmente se for nas pernas.

Abaixo temos um esquema do sangue e do vaso sanguíneo primeiro normal, e depois com uma trombose:

 

sangue vaso normal.pngtrombo.png

 

Existem algumas causas para que a trombose possa acontecer, que se dividem em 3 principais categorias:

1- Aconteceu algum machucado na parede do seu vaso sanguíneo (artéria ou veia), local esse apontado na figura acima como revestimento do vaso.

Quando houve o machucado (causado por exemplo por um aumento de pressão arterial, por um pico de glicose no sangue, ou por um trauma), essa alteração fez com que vc mandasse seu corpo cicatrizar aquela região. Quando vc foi cicatrizar a parede do seu vaso sanguíneo, o processo de cicatrização, acontecendo em contato direto com seu sangue (afinal, foi lá na passagem dele que aconteceu o machucado) acabou estimulando o sangue a coagular para fazer a “casquinha” do vaso sanguíneo. Se esse coágulo for grande demais e acabar bloqueando toda a passagem do sangue, e acontece a trombose.

Um exemplo de uma situação assim são os infartos fulminantes.

2- O sangue ficou parado muito tempo no mesmo lugar e acabou coagulando.

O sangue precisa estar em movimento para permanecer no estado líquido. Se ele para, acontecem umas reações químicas que o estimulam a coagular. Por isso, se existe um problema de má circulação, aumenta a chance de ter a trombose.

Exemplos de problema de má circulação são varizes mais graves e profundas, ou uma pessoa que está acamada.

3- Você tem um problema que faz seu sangue coagular mais do que deveria.

Alguma coisa acontece no seu sangue que faz com que ele coagule em resposta a estímulos que normalmente não deveriam fazer com que ele simplesmente talhasse. E algum estímulo pequeno aconteceu, e o coágulo se formou.

Um exemplo dessa situação é a menina que teve trombose enquanto toma pílula anticoncepcional, sem nenhum outro fator que tenha contribuído para ela ter a trombose. A pílula realmente aumenta um pouco a tendência do sangue a coagular. Porém, numa mulher que não tem nenhuma outra alteração no sangue, a chance de ela fazer uma trombose é muito pequena. Por isso, se teve uma trombose usando a pílula, e não houve nenhum dos fatores acima descritos, provavelmente tem alguma outra coisa além da pílula que resultou na formação dessa trombose.

Para falar especificamente sobre essas alterações, vou fazer outro texto, senão esse acaba ficando muito longo  ;)

 

Os sintomas dependem de onde o tecido de endométrio aderiu dentro da cavidade abdominal. Como ele se comporta da mesma forma que o endométrio normal, de dentro do útero, os sintomas dependem da fase do ciclo menstrual, e ficam mais fortes quando há a menstruação. Durante a menstruação, imagine que está tendo uma descamação, um sangramento desses endométrios anormais. O sangue originado desses irrita a região em que ele está, provocando dor.

Abaixo vou citar os possíveis locais de aderência e seus sintomas respectivos. Na foto abaixo há a imagem da mulher como se estivesse sido cortada no meio, passando pela região do umbigo:

Imagem

– Ovário:

Quando há endometriose no ovário, o que a mulher sente principalmente é cólica menstrual muito forte. Se fizer ultrassom, a endometriose ovariana é vista como uma imagem de cisto com conteúdo semelhante ao sangue. Esse cisto é chamado de endometrioma e ele costuma ser permanente, não desaparece sozinho.

O endometrioma não costuma interferir no ciclo menstrual, ou seja, a mulher provavelmente terá ciclos menstruais regulares. Porém, ele pode interferir com a qualidade da ovulação, e dificultar que o óvulo, após sair do ovário, consiga fazer seu caminho normal de entrar nas tubas uterinas para ser fecundado pelo espermatozoide, desta forma podendo levar a um quadro de infertilidade.

– Bexiga:

O tecido endometrial pode aderir na parede da bexiga, a camada de fora de bexiga. Se isso ocorrer, a mulher sentirá sintomas de irritação da bexiga parecidos com os de infecção urinária: vontade de urinar o tempo todo, dor ao urinar, sensação de bexiga cheia logo após esvazia-la…

Esses sintomas se intensificam durante a fase menstrual e tendem a melhorar após a menstruação.

– Intestino:

O tecido de endométrio pode aderir na parede externa do intestino. Quando há menstruação, a mulher pode sentir cólicas intestinais parecidas com cólicas de diarreia, e ter dor ao evacuar. Não é frequente ter sangramento nas fezes por causa de endometriose, apenas dor.

Esses sintomas se intensificam durante a fase menstrual e tendem a melhorar após a menstruação.

– Ligamentos do útero:

A endometriose pode acometer os ligamentos do útero, em especial um ligamento chamado útero-sacro. Esse ligamento fica na parte posterior do colo do útero, na região do fundo da vagina. Isso pode provocar dores durante as relações sexuais, principalmente quando o pênis bate no fundo da vagina.

– Endometriose e infertilidade:

Quando a mulher tem endometriose, toda menstruação resulta em descamação desses focos de endometriose dentro da cavidade abdominal. Essa inflamação nada mais é que uma forma do corpo mandar o sistema de defesa para a região irritada, pois ele entende essa irritação como uma agressão ao corpo. O resultado disso pode ser a formação de aderências, tecidos de cicatrização, dentro da cavidade abdominal. Se houver formação dessas aderências nas regiões próximas das tubas uterinas, elas podem ser obstruídas.

As tubas uterinas são estruturas responsáveis por transportar os óvulos após a ovulação. Na relação sexual durante o período fértil, os espermatozoides encontram o óvulo e o fecundam dentro das tubas uterinas, e o embrião resultante desse processo é levado para o útero onde haverá a nidação (quando o embrião gruda no endométrio) e consequente gravidez.

Se houver obstrução das tubas uterinas, o encontro do espermatozoide com o óvulo será impossibilitado, resultando num quadro de infertilidade.

Nem todo mulher com endometriose tem aderência nas tubas, mas pode ter. É possível verificar a integridade das tubas uterinas através de um exame chamado histerossalpingografia. Esse exame está indicado apenas quando a mulher está tentando engravidar, não deve ser feito de rotina.

Hoje em dia estamos ouvindo falar muito da endometriose, e por isso, gostaria de esclarecer o que realmente é essa doença.

O que é endometriose?

Endometriose é uma doença que ocorre quando há a formação de endométrio fora da cavidade do útero. Calma, não se desespere, vou traduzir essa frase.

O que é endométrio?

Endométrio é a camada de dentro do útero, é a camada que reveste a cavidade, a parte de dentro do útero. É o que descama nas menstruações, resultando no sangramento menstrual. Abaixo coloquei um desenho do útero para que você consiga entender melhor o que estou dizendo:

 Imagem

Repare que há uma comunicação das cavidades da vagina, do útero e das trompas. As trompas não são fechadas nas extremidades, elas mantém essa comunicação com a parte de dentro da barriga, a cavidade abdominal, onde se encontram os outros órgãos abdominais (bexiga, intestino, etc..).

O endométrio deveria existir apenas dentro do útero.  Os hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) atuam nele fazendo com que ele cresça e, ao final do ciclo, descame.

Porque ocorre a endometriose?

Ainda não se sabe ao certo porque ocorre a endometriose. A teoria mais aceita hoje em dia é a da menstruação retrógada.

Quando há a menstruação, grande parte do sangue menstrual (que na verdade é uma mistura de sangue com restos de endométrio) escoa pela vagina, mas uma parte dele faz o caminho retrógrado, inverso, e cai dentro da cavidade abdominal. Isso ocorre em todas as mulheres, mas em algumas (e não se sabe porque), esse endométrio se fixa dentro da cavidade abdominal.

As mulheres que têm endometriose provavelmente têm alguma alteração no sistema imunológico (sistema de defesa do corpo), e ele não reconhece esse tecido de endométrio fora do útero como sendo algo que ele tenha que “limpar”. Desta forma, esse tecido se fixa e funciona da mesma forma que o endométrio normal, reagindo aos hormônios. Quando a mulher menstrua, há também a descamação desse tecido de endométrio fora do lugar, o que irrita a cavidade abdominal e resulta em dor, cólica.

 O quadro clínico, sintomas, e possíveis tratamentos de endometriose vou explicar em futuros posts.

O que são ovários policísticos?

Existe uma diferença entre o significado de ovários policísticos e a síndrome dos ovários policísticos. Ovários policísticos são visualizados no exame de ultrassom como tendo um tamanho maior e contendo pequenos cistos. A síndrome dos ovários policísticos é definida como a mulher que tem menstruação irregular (ausência de ovulação nos ciclos menstruais) e sinais de aumento de hormônio masculino (visto principalmente por aumento de pelos em locais como buço, barba, peito, abdome, dorso, nádegas e coxas). Além desses sintomas, para que a mulher seja diagnosticada com a síndrome dos ovários policísticos, deve-se excluir outros problemas que poderiam cursar com os mesmos sintomas.

Qual o problema de ter a síndrome dos ovários policísticos?

– Alteração hormonal

A síndrome dos ovários policísticos resulta da alteração no equilíbrio dos hormônios envolvidos no ciclo menstrual, tendo como consequência tem a ausência da ovulação. É muito comum verificar nessas mulheres uma resistência aumentada a insulina, como uma pré-diabetes. Por isso a investigação desse achado de ovários policísticos ao ultrassom deve conter a avaliação do metabolismo de glicose.

– Ausência de ovulação

A falta de ovulação pode ter 3 problemas. O primeiro, mais fácil de perceber, é dificuldade de engravidar. Os outros têm relação com a alteração hormonal decorrente da falta de ovulação. Como vimos no texto sobre o ciclo menstrual, após a ovulação o ovário produz progesterona, que tem um efeito contrário ao estrogênio no endométrio (camada de dentro do útero, responsável pela menstruação). O estrogênio tem efeito de fazer o endométrio crescer, aumentar. A progesterona bloqueia essa ação de crescimento do endométrio.

Se a mulher não ovula, ela fica o tempo todo com seu endométrio sendo estimulado pelo estrogênio. O sangramento que ela vai ter não é de menstruação, não é um evento auto-limitado e controlado por uma série de mecanismos naturais. Esse sangramento ocorre pois o endométrio cresce demais e não “aguenta”, se desprende da cavidade, do interior do útero e sangra. Isso pode levar a sangramentos mais intensos, hemorragias, eventualmente com necessidade de tratamento com medicações para conte-lo.

Esse desequilíbrio hormonal a longo prazo pode aumentar a chance da mulher apresentar tumores estrogênio-dependentes, principalmente tumores de endométrio.

Qual o problema de ter ovários policísticos?

O fato da mulher apresentar os ovários com características policísticas não quer dizer muita coisa quando ocorre isoladamente. Esse é apenas um sinal que pode indicar alguma alteração, mas pode não indicar nada. Existem ovários que tem função normal, ovulam mensalmente, e têm esse aspecto micropolicístico. Mas, como esse fenômeno pode estar associado a síndrome dos ovários policísticos, esse diagnóstico deve ser investigado.

Vou fazer alguns posts sobre atividade física na gravidez, começando pelo começo: primeiro trimestre. Atividade física na gravidez é um assunto muito controverso. Por isso, não vou dar minha opinião pessoal sobre o assunto. Vou explicar as consequências da gravidez para o sistema locomotor e possíveis impactos da atividade física no corpo da gestante. 

No primeiro trimestre ocorre alguma alteração que interfira com atividade física?

Desde o início da gestação ocorrem alterações hormonais intensas. Dentre essas, há aumento do hormônio chamado relaxina que, como diz o nome, serve para relaxar todos os ligamentos do corpo. As consequências disso são articulações mais maleáveis e frouxas que facilitam a abertura da bacia no momento do parto. Porém, como disse anteriormente, todas as articulações do corpo sofrem interferência desse hormônio e, desta forma, todas ficam mais susceptíveis a lesões. 

Mas se as articulações estão mais frágeis, mais instáveis, isso proíbe atividade física de impacto?

Não. O fato dessas articulações estarem mais frágeis não proíbe nada, mas serve como alguns alertas:

– Se a gestante tiver alguma dor na articulação, na junta, ela deve procurar ajuda profissional para realizar fortalecimento muscular antes de iniciar atividade física. O fortalecimento da musculatura ajuda o músculo a absorver o impacto da articulação, retirando a sobrecarga e prevenindo lesões.

– Se houver aparecimento de dores articulares relacionadas ao exercício, pare imediatamente e procure atendimento especializado.

Se a mulher for sedentária e engravidar, ela pode começar a fazer atividade física na gravidez?

Sim, mas com cautela. Escolher exercícios de intensidade leve a moderada, e neste caso, sem impacto. A mulher sedentária não tem um preparo muscular adequado para começar a fazer uma atividade física de impacto, como corrida. E neste caso, o risco de se machucar é maior que o benefício da corrida. Por isso, é melhor procurar exercícios sem impacto e musculação. 

Para saber se a intensidade está adequada, a mulher precisa se sentir cansada, mas ao mesmo tempo conseguir conversar sem ficar com falta de ar. A frequência cardíaca é em torno de 140 batimentos por minuto nesta intensidade. A periodicidade ideal é 3 vezes por semana, não passar mais de 30 minutos contínuos de exercícios.

Se a mulher já fizer atividade física antes de engravidar, ela precisa mudar alguma coisa na rotina de treinos?

Depende do que ela pratica. A maioria das modalidades não interferem com a gravidez, e a mulher pode continuar treinando normalmente. Algumas recomendações gerais que acredito ser importante frisar:

– Evitar treinar em ambientes de temperaturas extremas, principalmente quente e úmido.

– Evitar contato físico com potencial lesivo.

Dicas para treinar melhor:

– Sempre comer antes e depois de treinar!!! Pense que na gravidez, existe um bebê que está o tempo todo roubando sua glicose e nutrientes pelo cordão umbilical. Por isso, a grávida tem que comer algo leve antes do treino, e se for treinar mais que 20 minutos, ingerir algo com glicose durante o treino. Após o treino, comer novamente para restabelecer as energias perdidas. 

– Tênis: aconselho ter um par de tênis novo para garantir que o amortecimento do calçado esteja bom e funcionando.

– Top: que segure muito bem as mamas, com uma alça larga para distribuir melhor a sustentação. Pense que umas das primeiras modificações da gravidez é o aumento das mamas. Elas sofrem o efeito da gravidade mesmo durante a gravidez e amamentação. Por isso, use um top que segure bem os peitos para evitar que eles balancem demais e, com isso, sintam os efeitos da gravidade que puxa para baixo e não perdoa.

 

 

Dra Paula

Olá, sejam bem-vindas ao meu blog!

Antes de mais nada gostaria de me apresentar: sou médica formada pela USP, fiz residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP e fiz pós-graduação em Medicina do Esporte na Escola Paulista de Medicina (Cefit). Trabalhei no Hospital das Clínicas como médica responsável pelo ambulatório de Ginecologia do Esporte e na clínica Célula Mater.

Escrevo esse blog pois acredito que a mulher se beneficia muito quando entende seu corpo e o como as doenças atuam nele. Isso contribui com o acompanhamento clínico e o tratamento. A partir do momento que a paciente se torna uma pessoa consciente de seu corpo, ela fica mais ativa junto ao médico na busca pela saúde.
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